Alzheimer: guidelines são revistas ao fim de 27 anos

Estudo publicado na revista “Neurology”

21 abril 2011
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As guidelines utilizadas para o diagnóstico da doença de Alzheimer foram revistas ao fim de 27 anos. O desenvolvimento destas novas guidelines foi liderado pelos investigadores do National Institutes of Health e pela Alzheimer's Association e acabaram de ser publicadas no “Alzheimer's & Dementia: The Journal of the Alzheimer's Association”.
 

De acordo com as recomendações estipuladas em 1984, a doença de Alzheimer era definida como tendo apenas um único estádio, a demência, sendo que o seu diagnóstico era somente baseado nos sintomas clínicos. Era assumido que os indivíduos que não apresentavam sintomas de demência não eram diagnosticados como sofrendo de Alzheimer. Por outro lado, o diagnóstico era só confirmado na autópsia, quando as características da doença, tal como níveis elevados de proteína beta amilóide, eram encontradas no cérebro.
 

Desde então, foi realizada bastante investigação nesta área. A comunidade científica chegou então à conclusão que os indivíduos afectados por esta doença apresentam alterações no cérebro uma década antes do aparecimento dos sintomas, sendo que estes não estão sempre directamente associados com as alterações no cérebro causadas pela doença de Alzheimer. Foi constatada a presença de níveis elevados de proteína beta amilóide no cérebro de idosos durante a sua autópsia, os quais nunca tinham apresentado sinais de demência durante a vida. Por outro lado, parece que a deposição desta proteína começa a aparecer no início do processo da doença. Já a perda de neurónios ocorre mais tarde e pode tornar-se mais rápida mesmo antes de os sintomas aparecerem.  
 

Assim, de forma a reflectir sobre o que foi aprendido ao longo deste últimos anos, o National Institutes of Health and the Alzheimer's Association definiram que a doença de Alzheimer apresenta três estádios distintos: um primeiro estádio, que inclui a deposição da proteína beta amilóide e outras alterações das células nervosas; um segundo estádio caracterizado pelo aparecimento de problemas de memória suficientemente visíveis e que podem ser mensuráveis, sem no entanto comprometerem a independência da pessoa e, por último, a doença de Alzheimer, o estádio final da doença que é o mais relevante para os médicos e pacientes.
 

É de referir que estas novas guidelines também incluem a utilização de exames de imagem e de biomarcadores presentes no sangue e no líquido cefalorraquidiano que poderão ajudar a determinar se as alterações encontradas nos fluídos corporais são derivadas da doença.
 

O coordenador científico da Alzheimer's Association, William Thies, revelou em comunicado de imprensa que acredita que “esta publicação é um marco muito importante”. Na sua opinião, este processo “vai resultar num melhor diagnóstico e tratamento da doença de Alzheimer e vai também conduzir a uma investigação que permitirá detectar e tratar a doença mais cedo e mais eficazmente. Isto permitirá que mais pessoas vivam com sintomas da doença muito reduzidos.”
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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