Alzheimer: ferramenta que apoia diagnóstico a ser desenvolvida

Consórcio ibérico

09 maio 2019
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Uma ferramenta bioinformática que relaciona a informação de genes da saliva com a atividade elétrica cerebral de doentes com Alzheimer pode vir a auxiliar no diagnóstico precoce desta e de outras doenças neurodegenerativas, segundo um projeto ibérico.
 
A parceria entre o Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup) e o grupo de Engenharia Biomédica da Universidade de Valladolid, em Espanha, surgiu há quase dois anos.
 
Os investigadores estão neste momento a criar uma “base de dados” de 250 doentes do Norte de Portugal e da província espanhola de Castela e Leão - 150 com Alzheimer em fase inicial, moderada e severa, 50 com défice cognitivo ligeiro e 50 controlos (cidadãos idosos sem Alzheimer ou défices cognitivos).
 
“Aquilo que pretendemos é contribuir com a nossa amostra para consórcios maiores, porque a doença de Alzheimer é uma doença muito complexa, mesmo em termos genéticos. É uma doença muito difícil de fazer esta associação”, disse, em entrevista à agência Lusa, Nádia Pinto, a responsável pelo projeto.
 
Uma das vertentes do projeto, desenvolvida pelos investigadores portugueses, assenta na recolha e análise de amostras genéticas da mucosa bucal, através da saliva dos doentes.
 
Apesar de os resultados genéticos ainda não estarem concluídos, Nádia Pinto adiantou que o grupo vai, posteriormente, compará-los com “marcadores genéticos” já associados aos diferentes estádios da Alzheimer e com os resultados de 50 controlos.
 
"Analisamos alguns marcadores genéticos, alguns já associados à doença de Alzheimer, e depois vemos se há alguma diferença naquelas pessoas relativamente à população em geral. Portanto, se há alguma informação diferente, se há frequências diferentes desses genes naquela população e na população em geral de forma a haver uma associação da doença a alguns daqueles marcadores", frisou.
 
Contactado pela Lusa, Carlos Gómez, responsável pelo grupo de Engenharia Biomédica da Universidade de Valladolid, acredita que esta combinação entre a informação cerebral com a genética pode ajudar a diagnosticar “o mais cedo possível” a patologia.
 
"Nesta área, temos inúmeros artigos científicos publicados e a ideia agora é, quando o projeto estiver na sua fase final, combinar esses estudos que temos sobre a atividade elétrica cerebral com os da genética e ver se podemos melhorar a precisão no diagnóstico do Alzheimer", afirmou.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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