Alzheimer : Diagnóstico precoce em discussão na Universidade de Aveiro

Consórcio quer criar «chip» de diagnóstico para a doença

27 setembro 2002
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Uma em cada quatro pessoas com mais de 75 anos tem Alzheimer, doença em cujo diagnóstico precoce trabalha um consórcio europeu, integrando cientistas portugueses, que se reúne entre hoje e sábado na Universidade de Aveiro (UA).
 

 

O grupo de Neurociências do Centro de Biologia Molecular da Universidade de Aveiro é a equipa nacional envolvida neste projecto financiado pelo V Programa Quadro da Comissão Europeia, que reúne mais de 17 entidades internacionais, europeias e norte- americanas.
 

O objectivo do DIADEM, cujos elementos vão reunir- se pela primeira vez em Aveiro, é criar um "chip" de diagnóstico para a doença de Alzheimer.
 

 

"Queremos desenvolver um produto fácil de utilizar em ambiente clínico, algo como um pequeno quadrado em material ainda não escolhido onde se poderiam colocar gotas de sangue ou urina que desencadeariam uma reacção química de forma a testar a ausência ou relação de 20 a 30 proteínas ligadas à doença", explicou, em declarações à Agência Lusa, Odete Cruz e Silva, da UA.
 

 

"Ainda é difícil identificar qual a proteína responsável pelo aparecimento da doença, por isso talvez um conjunto de proteínas e as reacções entre si sejam um melhor indicador para a presença de Alzheimer", acrescentou a responsável pela organização da reunião de Aveiro.
 

 

Segundo a investigadora, o suporte físico para esta plataforma e a forma como se vai desencadear a reacção química para observação dos clínicos estão ainda em fase de estudo e desenvolvimento por duas empresas biotecnológicas alemãs.
 

 

Diagnosticada pela primeira vez pelo psiquiatra Alois Alzheimer em 1906, a doença de Alzheimer, que se estima afectar em Portugal cerca de 50.000 pessoas, é uma patologia degenerativa que destrói, lenta e progressivamente, as células do cérebro, afectando o funcionamento mental, com repercussões no pensamento, fala e memória, por exemplo.
 

 

Com a progressão da doença, o paciente começa a perder hábitos quotidianos e a manifestar alterações de comportamento, como ansiedade ou agressividade.
 

 

"A sociedade está a envelhecer, está a ficar cada vez mais idosa devido ao aumento da esperança de vida, por isso estamos agora a descobrir e a tentar perceber doenças que antigamente nem se faziam notar", disse Odete Cruz e Silva.
 

 

"Há várias demências e muitas vezes é difícil identificar qual delas afecta o paciente. O chip será importante para fazer um diagnóstico precoce, porque quanto mais cedo for descoberto o problema mais cedo se poderão administrar medicamentos dirigidos", explicou.
 

 

Assim sendo, o chip trará não só novas possibilidades no diagnóstico da doença de Alzheimer como também noutros tipos de demência.
 

 

"Dentro de um a dois anos deverá haver um protótipo para uso em laboratório, onde se irá recorrer a células ou outros modelos para detectar as alterações das proteínas", considerou.
 

 

"Numa segunda fase entraremos em contacto com os clínicos de forma a testar o produto com o sangue dos doentes. Daqui a dois, três anos teremos um chip real, e daí para o uso no hospital esperemos que seja o mais rápido possível", acrescentou.
 

 

As linhas gerais do consórcio DIADEM começaram a ser traçadas entre 1999 e 2000, numa tentativa de dar resposta à actual inexistência de uma forma de diagnóstico precoce da doença de Alzheimer, através da coordenação de esforços a nível internacional.
 

 

A reunião que hoje começa em Aveiro vai permitir discutir o estado das investigações e partilhar resultados, indicou a investigadora.
 

 

Apesar dos esforços da ciência na busca de uma cura para esta doença, o tratamento actual permite apenas atenuar os sintomas, situação que obriga a que todos, incluindo médicos e familiares, assistam impotentes à degeneração gradual do paciente.
 

 

O problema está directamente relacionado com o envelhecimento das populações, atingindo entre 8 a 15 por cento das pessoas com mais de 65 anos, e uma em cada quatro a partir dos 75, segundo Odete Cruz e Silva.
 

 

Os peritos acreditam que existem actualmente em todo o mundo entre 17 e 25 milhões de pessoas com a doença de Alzheimer, o que representa 70 por cento do conjunto das doenças que afectam a população geriátrica.
 

 

Além disso, esta patologia é a terceira causa de morte nos países desenvolvidos, depois das doenças cardiovasculares e do cancro.
 

 

Apesar de não ser possível estabelecer uma relação de causa/efeito entre a actividade cerebral durante a vida e a manifestação de Alzheimer no futuro, Odete Cruz e Silva falou de investigações antigas que relacionam um maior exercício intelectual a uma menor propensão para a doença.
 

 

Fonte: Lusa
 

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