Alzheimer: detetadas alterações no cérebro vários anos antes dos sintomas

Estudo publicado na revista “Frontiers in Aging Neuroscience”

17 maio 2019
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Uma equipa de investigadores relatou ter identificado um nível médico de alterações biológicas e anatómicas no cérebro associadas à doença de Alzheimer antes de os primeiros sintomas reconhecíveis surgirem.
 
Com efeito, a equipa da Universidade de Johns Hopkins, EUA, afirmou ter detetado aquelas alterações entre três e 10 anos antes dos sintomas da doença, mas em alguns casos houve manifestação mais de 30 anos antes.
 
Para a sua investigação, a equipa analisou os processos clínicos de 290 pacientes com 40 ou mais anos de idade, todos cognitivamente normais no início do estudo.
 
Estes pacientes faziam parte de um outro projeto conhecido como BIOCARD que tem como objetivo identificar prognosticadores de declínio cognitivo. A maioria dos participantes possuía pelo menos um familiar direto com demência do tipo Alzheimer, pondo-os em maior risco do que o normal.
 
O projeto BIOCARD envolvia a recolha de fluído cérebroespinal e de imagens por ressonância magnética dos participantes, a cada dois anos, entre 1995 e 2005. Os participantes foram ainda submetidos a cinco testes convencionais à memoria, aprendizagem, leitura e atenção, anualmente entre 1995 e 2013.
 
Na altura da última consulta no âmbito do projeto BIOCARD, 209 pacientes continuavam cognitivamente normais e 81 tinham sido diagnosticados com défice cognitivo ligeiro ou demência devido à doença de Alzheimer. 
 
Nessas 81 pessoas, foram identificadas alterações ligeiras nas pontuações em testes cognitivos 11 a 15 anos antes do início de défice cognitivo visível. Foram ainda identificados aumentos no índice da proteína Tau, que é considerada como sendo um marcador da doença de Alzheimer, no líquido cefalorraquidiano entre 13 a 34,4 anos, em média, antes do início do défice cognitivo.
 
Estes resultados poderão, eventualmente, conduzir a um teste que determine o risco relativo de doença de Alzheimer num paciente e orientar o uso de eventuais tratamentos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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