Alunos têm dores nas costas mas não vão ao médico

Estudo da Associação Portuguesa Spine Matters

01 setembro 2016
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Investigadores da Associação Portuguesa Spine Matters constataram que cerca de um terço dos alunos entre o 1.º e o 9.º ano de escolaridade sofre de dores nas costas, mas apenas 3% consultou um médico da especialidade.
 

O estudo, que envolveu 110 alunos, e que ainda se encontra na primeira fase, demonstrou também que é no 7.º ano que se encontra a maior carga transportada, com uma média de sete livros por aluno.
 

No âmbito do regresso às aulas, Luís Teixeira, médico ortopedista e fundador da Spine Matters, lembra a importância de se terem presentes estes dados, recolhidos nos últimos meses e alerta para as consequências de uma carga desadequada e contínua durante o período escolar e fase de crescimento das crianças e adolescentes.
 

"Todos sabemos que as nossas crianças continuam a transportar cargas excessivas nos dias de aulas, mas é fundamental percebermos de que é que estamos a falar. Na verdade, os números mostram que há muitos alunos a suportar 15% ou mais do seu peso corporal na carga escolar, uma percentagem já muito elevada e prejudicial para a coluna", referiu o médico.
 

No comunicado enviado pela associação à ALERT, Luís Teixeira refere que as mochilas das crianças não devem exceder esta percentagem devido a mudanças nos ângulos dos ombros, pescoço, tronco e membros inferiores, afetando a postura de forma global ao provocar uma curvatura anormal das costas. A má postura, cifoses (corcundez) e escolioses decorrentes desta utilização prolongada são alguns dos exemplos dos resultados que podem advir e que aumentam a probabilidade de se sofrer de dores lombares na vida adulta.
 

Por outro lado, o excesso de peso nas mochilas tem ainda sido apontado como responsável, a longo prazo, por dores de cabeça frequentes e consequente falta de concentração nas aulas.
 

"Uma das situações mais alarmantes que apurámos foi a desvalorização das dores nas costas destes alunos. Quando inquiridos sobre as cadeiras, tempo passado à secretária ou locais de estudo, não foi relacionada nenhuma percentagem significativa de casos em que sentem dor nesses momentos. No entanto, em relação às mochilas que usam, existe uma ligação imediata e a reação é comunicada aos pais em 71% dos casos. No entanto, e apesar de ser uma realidade constante, não são consultados especialistas para auxiliar e travar a situação”, refere o especialista.
 

Luís Teixeira aconselha os pais a pesarem as mochilas dos filhos e, se a carga exceder 15% do seu próprio peso, retirar carga. As mochilas devem ter duas alças e um bom suporte, em que o peso possa ser suportado uniformemente. Por outro lado, quando impossível de contornar a medida, a opção pontual deve ser por uma mala com rodas. Por último, o ortopedista refere que as alças da mochila devem ser ajustadas no caso de estarem muito soltas. Todas as mochilas devem ter as alças apertadas e justas para que não haja oscilação de peso.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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