Alunos de medicina revelam preocupações com dessensibilização perante a morte

Estudo da Universidade de Loyola

06 janeiro 2014
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A iminência da morte traz consigo uma torrente de emoções não só para o paciente e seus familiares, como também para as equipas médicas. Um estudo levado a cabo pela Universidade de Loyola, nos EUA, e divulgado na publicação científica “Academic Medicine”, desvenda os dilemas com que médicos em formação se debatem ao tentar controlar as suas emoções, ao mesmo tempo que procuram não se tornar insensíveis às necessidades de doentes terminais e suas famílias.

 

Entre 2010 e 2011 os alunos do terceiro ano de Medicina da Loyola University Chicago Stritch School of Medicine foram incumbidos de refletirem e relatarem por escrito as suas experiências relacionadas com a morte de um dos seus pacientes. 68 relatórios foram analisados e codificados através de um processo iterativo e multifásico. Os alunos tiveram de refletir sobre comunicação, presença compassiva, cuidados ao paciente e desenvolvimento pessoal e profissional.

 

A análise dos relatórios apontou a importância de a equipa médica ter uma presença compassiva para lá do contacto clínico habitual, partilhando interesses, transmitindo afeto ou mantendo a demonstração de interesse no doente mesmo depois de terem terminado os tratamentos.

 

O estudo afirmou ainda a importância de a equipa médica reconhecer e compreender as necessidades espirituais dos pacientes, prestando apoio emocional e espiritual a doentes e familiares.

 

Um outro tema que emergiu da análise dos relatórios dos alunos foi a questão da fragmentação do sistema. “Os estudantes relataram que algumas equipas médicas estão muito focadas nos problemas clínicos imediatos. Existe uma fragmentação dos cuidados médicos, tais como a rotação entre serviços e as transferências de pacientes que permitem aos médicos evitar lidar com a questão principal, a morte”, refere Kuczewski. Esta fragmentação pode levar os médicos a negligenciar as necessidades de informação, assim como de apoio emocional e espiritual de pacientes e familiares.

 

O estudo refere também a necessidade de apoio emocional e espiritual tanto por parte dos médicos em formação, como das próprias equipas médicas que têm de enfrentar a morte de um paciente. Apesar de alguns alunos referirem formas de as equipas reconhecerem a morte de um doente, outros referiram não sentir ter havido um verdadeiro fim de ciclo. “A equipa passava para o caso seguinte, deixando o aluno com sentimentos mal resolvidos”, acrescenta Kuczewski.

 

Por fim, o estudo revelou que os alunos procuravam evitar tornar-se insensíveis à realidade humana pela qual os seus pacientes passavam, enquanto aprendiam a controlar as suas emoções.

 

O estudo conclui que as reflexões dos alunos permitiram perceber de que forma as necessidades espirituais de doentes terminais e suas famílias são tratadas em ambiente hospitalar. Além disso, permitiram ainda ter uma perceção um pouco melhor acerca do desenvolvimento pessoal e profissional de uma pessoa que se encontra em fase de formação e a necessidade de as faculdades de medicina criarem formas de apoiar os alunos durante este processo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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