Altura do dia determina risco de infeção

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

18 agosto 2016
  |  Partilhar:

Investigadores do Reino Unido demonstraram que há determinados momentos do dia que aumentam o risco de infeção. O estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences” poderá ajudar a explicar por que motivo os indivíduos que trabalham por turnos são mais propensos a problemas de saúde, incluindo infeções e doenças crónicas.
 

Quando um vírus entra no organismo, sequestra a maquinaria e os recursos das células para ser capaz de se replicar e disseminar entre as células. Contudo, os recursos variam ao longo do dia como resposta aos ritmos circadianos, que controlam vários aspetos fisiológicos e funções corporais.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, decidiram averiguar se o ritmo circadiano afetava a suscetibilidade ou a progressão de uma infeção tendo para tal utilizado ratinhos infetados com o vírus herpes em diferentes momentos do dia. Foram medidos os níveis de infeção e propagação da doença.
 

Os investigadores constataram que a replicação do vírus nos ratinhos infetados ao amanhecer, quando estes animais noturnos começam a fase de descanso, era dez vezes maior do que naqueles infetados 10 horas mais tarde quando os ratinhos entram numa fase mais ativa.
 

Akhilesh Reddy, o líder do estudo, explica que a hora do dia em que ocorre a infeção pode ter uma grande influência na suscetibilidade à doença, ou pelo menos na replicação do vírus. Desta forma, uma infeção num momento do dia menos apropriado pode causar uma infeção mais grave.
 

Cada célula no organismo tem um relógio biológico que lhes permite controlar o tempo e antecipar as alterações diárias do meio ambiente. Neste contexto, os resultados do estudo sugerem que o relógio de cada célula determina também como o vírus se replica.
 

Quando os investigadores interromperam o relógio biológico em células ou em ratinhos verificaram que o momento da infeção deixou de ter importância, a replicação do vírus foi sempre elevada.
 

“Isto indica que os indivíduos que trabalham por turnos, que trabalham algumas noites e descansam outras e têm portanto um relógio corporal alterado, são mais suscetíveis a doenças virais”, revelou, em comunicado de imprensa, a primeira autora do estudo, Rachel Edgar.

 

Experiências realizadas em cultura de células indicaram ainda que o vírus herpes manipula o relógio molecular que controla o ritmo circadiano, ajudando o vírus a progredir com a infeção. “Uma vez que o nosso relógio biológico parece desempenhar um papel importante em nos defender contra agentes patogénicos invasores, as suas maquinarias moleculares podem fornecer um novo e universal alvo terapêutico para combater a infeção”, concluiu o investigador. 

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.