Alternativa à terapia hormonal

Composto funciona como estrogénio e previne osteoporose

24 outubro 2002
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Investigadores norte-americanos desenvolveram um composto que funciona como o estrogénio, prevenindo a osteoporose em ratinhos, sem nenhum dos perigosos efeitos secundários associados à terapia hormonal, o que poderá constituir uma alternativa para mulheres na menopausa.
 

 

Experiências realizadas com o composto, denominado em inglês estren, revelaram que este foi capaz de aumentar a densidade óssea e a força em ratinhos cirurgicamente alterados para simularem as condições da menopausa.
 

 

O químico não provocou, no entanto, nenhum dos perigosos efeitos secundários associados ao estrogénio (aumento do risco de cancro e doença cardíaca), podendo representar uma alternativa para as mulheres mais velhas que suspendam a terapia de substituição hormonal.
 

 

"Parece até ser superior ao estrogénio nos efeitos que tem ao nível ósseo", afirmou Stavros C. Manolagas, investigador da Universidade do Arkansas.
 

 

Peritos em osteoporose, doença que se caracteriza pelo enfraquecimento dos ossos, consideraram que o estren, caso funcione bem nos humanos, poderá ser um substituto da terapia de substituição hormonal, ou HRT.
 

 

Na menopausa, o corpo da mulher produz menos hormonas dos ovários, o que, com o decorrer do tempo, pode originar doenças graves como a osteoporose, cancro do cólon, doença de Alzheimer e problemas cardiovasculares.
 

 

Para evitar este cenário, milhões de mulheres tomam regularmente suplementos hormonais para tratar os sintomas pós- menstruais, incluindo afrontamentos e enfraquecimento dos ossos.
 

 

Cientistas federais norte-americanos interromperam em Julho um estudo sobre a combinação de estrogénio e progesterona, depois de descobrirem que, a longo prazo, a sua utilização aumenta o risco de cancro da mama, tromboses e ataques cardíacos.
 

 

As vendas das várias formulas de HRT quebraram entre 15 a 40 por cento desde então.
 

 

Jill L. Carrington, do Instituto norte-americano da saúde, considerou importante o trabalho de Manolagas, pois demonstrou que existem compostos que podem, de forma segura, substituir a terapia hormonal assente em estrogénio no tratamento da perda de densidade óssea.
 

 

Quadros ligados aos Institutos de saúde dos Estados Unidos estimam que a osteoporose afecte 10 milhões de pessoas no país e que 34 milhões - mais de metade das que têm mais de 50 anos - sejam um grupo de alto risco.
 

 

Segundo dados divulgados no Dia Mundial da Osteoporose, a 20 de Outubro, esta é uma doença que atinge actualmente entre 750 mil e um milhão de portugueses, embora apenas 15 por cento destes estejam a fazer o tratamento adequado.
 

 

Cerca de 80 por cento dos pacientes com osteoporose são mulheres, já que a doença surge gradualmente com o avançar da idade e com o declínio das hormonas sexuais, como estrogénio e testosterona.
 

 

Apenas cerca de três por cento das mulheres portuguesas com mais de 45 anos fazem prevenção das consequências da menopausa, contra uma média de 30 por cento registada noutros países europeus, segundo o vice-presidente da Sociedade Europeia de Menopausa, Manuel Neves e Castro.
 

 

Stavros C. Manolaga indicou que faltam ainda entre dois a três anos de trabalho de investigação até que o novo composto esteja pronto para testes no homem.
 

 

Fonte: Lusa
 

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