Alterações no ritmo circadiano associadas a danos cerebrais

Estudo publicado no “The Journal of Clinical Investigation”

28 novembro 2013
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Um novo estudo publicado no “The Journal of Clinical Investigation” poderá explicar a associação surpreendente entre os problemas de sono e as doenças neurodegenerativas.
 

Os investigadores das Universidades de Washington em St. Louis e Pensilvânia, nos EUA, constataram que os danos nas células nervosas, similares aos existentes na doença de Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas, ocorrem quando um gene que controla os ciclos de sono-vigília e outros ritmos do organismo é afetado.
 

O estudo apurou que, quando o gene que controla o ritmo circadiano é desativado, ocorre um bloqueio numa parte do ciclo cerebral que neutraliza substâncias químicas perigosas, conhecidas como radicais livres. “Habitualmente, nas horas que antecedem o meio-dia, o cérebro aumenta a produção de determinadas enzimas antioxidantes, que ajudam a limpar os radicais livres. Contudo, quando os genes envolvidos no relógio biológico ficam desativados este processo não ocorre e os radicais livres podem permanecer no cérebro e causar mais danos”, revelou, em comunicado de imprensa, o primeiro autor do estudo, Erik Musiek.
 

Neste estudo, os investigadores utilizaram ratinhos que não expressavam um dos principais genes envolvidos no relógio biológico, o Bmal1. Na ausência deste gene, as atividades que ocorrem habitualmente a uma determinada hora do dia ficam afetadas.
 

O estudo apurou que à medida que estes animais envelheciam, muitas das suas células cerebrais ficavam danificadas e não funcionavam corretamente. Os padrões de dano eram semelhantes aos observados na doença de Alzheimer e noutras doenças neurodegenerativas.
 

Os investigadores verificaram que os danos cerebrais observados nestes animais excederam os observados no envelhecimento habitual. Muitos dos danos pareciam ser causados por radicais livres. Quando estas moléculas entram em contacto com as células cerebrais ou outros tecidos, causam reações químicas prejudicais, explicam os autores do estudo.
 

Estes resultados levaram à análise da produção de antioxidantes chave, que habitualmente neutralizam e ajudam a eliminar os radicais livres do cérebro, limitando consequentemente os danos. Foi verificado que, nos ratinhos saudáveis, havia um pico nos níveis de vários antioxidantes a meio do dia. Contudo, este processo estava completamente ausente nos ratinhos que não expressavam o gene Bmal1.
 

“Estamos a tentar identificar mais detalhes sobre a forma como alterações nos genes envolvidos no relógio biológico contribuem para a neurodegeneração, com e sem a influência do sono. Esta é uma distinção difícil de fazer, mas tem de ser feita, pois estes genes, para além de estarem envolvidos no sono e vigília, parecem controlar muitas outras funções cerebrais”, concluem os investigadores.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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