Alterações no líquido cefalorraquidiano antecedem aparecimento da doença de Alzheimer

Estudo publicado nos “Archives of General Psychiatry”

05 janeiro 2012
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Alterações nos níveis de determinados componentes do líquido cefalorraquidiano antecedem cinco a 10 anos o aparecimento da doença de Alzheimer, dá conta um estudo publicado nos “Archives of General Psychiatry”.

 

Os autores do estudo revelaram que as terapias modificadoras da doença, como a imunoterapia, funcionam melhor quando aplicadas nos estádios iniciais da doença. Assim, é necessário identificar os doentes com doença de Alzheimer antes do processo neurodegenerativo estar já muito agudizado.

 

Neste estudo, os investigadores da Lund University e da Skane University, na Suécia, acompanharam, durante uma média de 9,2 anos, 137 pacientes diagnosticados com transtorno cognitivo leve, um estado mental que, muitas vezes, precede a demência.

 

O estudo revelou que durante o período de acompanhamento, 72 pacientes (53,7%) desenvolveram doença e Alzheimer, enquanto 21 pacientes (15,7%) desenvolveram outras formas de demência. Os investigadores constataram que, em comparação com os indivíduos que não desenvolveram doença de Alzheimer, os que desenvolveram tinham, por base, níveis mais reduzidos do peptídeo Aβ42 e níveis mais elevados de outros biomarcadores, as proteínas T-tau e P-tau.

 

O estudo revelou que os níveis do peptídeo Aβ42 estavam igualmente reduzidos nos pacientes com transtorno cognitivo leve que em cinco anos desenvolveram doença de Alzheimer, em comparação com os que só desenvolveram a doença entre cinco a 10 anos mais tarde. Contudo, os níveis das proteínas T-tau e P-tau estavam significativamente mais elevados nos pacientes que desenvolveram a doença em cinco anos ,em comparação com os níveis encontrados nos pacientes que só desenvolveram doença entre cinco a 10 anos mais tarde.

 

Os autores do estudo revelaram, em comunicado de imprensa, que “aproximadamente 90% dos pacientes com transtorno cognitivo leve e que apresentem níveis semelhantes d estes biomarcadores irão desenvolver doença de Alzheimer em 9,2 anos.”

 

"Assim, estes marcadores podem identificar indivíduos com elevado risco de desenvolvimento da doença de Alzheimer, pelo menos, cinco a 10 anos antes da conversão para um estado de demência. Esperamos em breve estejam disponíveis novas terapias que consigam retardar ou mesmo impedir a progressão da doença. Juntamente com um diagnóstico precoce e preciso, tais terapias poderiam ser iniciadas antes da degeneração neuronal estar muito avançada e os pacientes já estarem dementes”, revelou, em comunicado de imprensa, o autor do estudo Peder Buchhave.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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