Alterações no cérebro explicam opção de jornalista pelo terrorismo

Alemães estudam órgão da fundadora do grupo RAF

14 novembro 2002
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Vinte e seis anos após a morte de uma das fundadoras da Facção do Exército Vermelho (RAF), Ulrike Meinhof (na foto) , vários cientistas estudam agora o cérebro, conservado em formol, da jornalista alemã que largou a vida confortável e com sucesso para se dedicar de corpo e alma ao terrorismo.
 

 

A revelação foi feita na semana passada por uma das filhas gémeas de Ulrike Meinhof (1934-1976), Bettina Roehl. Segundo ela, o cérebro da sua mãe não estava no túmulo de Berlim-Mariendorf, mas no Instituto de Psiquiatria, Psicoterapia e Medicina Psicossomática de Magdeburgo, Leste da Alemanha.
 

 

A notícia foi confirmada na terça-feira pelo director da instituição, o professor Bernhard Bogerts. Segundo o cientista, o cérebro deu entrada no Instituto em 1997, a pedido do neurologista Juergen Peiffer.
 

 

O neurologista encarregou-se da conservação do cérebro da terrorista desde que o examinou em 1976, por ordem da Ministério Público (MP) de Stuttgart, após Ulrike ter sido encontrada enforcada na sua cela, na prisão de Stammheim.
 

 

Hoje, a próprio MP exigiu aos cientistas que investigam o órgão que o devolvam à família.
 

 

Em 1976, o neurologista escreveu um relatório no qual relata e descreve os danos encontrados no cérebro de Meinhof, «cuja amplitude e localização poderiam justificar questões relacionadas com responsabilidade». Os problemas teriam sido causados, segundo a sua opinião, por uma operação mal-sucedida a um tumor cerebral, realizada em 1962.
 

 

Naquela época, Meinhof era uma jornalista famosa da revista de esquerda «Konkret», casada com o fundador do semanário. Em 1968, rompeu os laços familiares e profissionais e, em 1970, passou a viver clandestinamente com Andreas Baader e Gudrun Ensslin.
 

 

Durante a sua investigação ao cérebro da terrorista, Peiffer conversou com Renate Riemeck, a mulher que educou Meinhof. Segundo a tutora, a partir de 1962, Meinhof passou a viver «uma espécie de alienação digna de uma romance de Dostoievski».
 

 

O próprio Bogerts, que estudou durante muito tempo o cérebro de um homem que assassinou toda a família em 1913, afirma que descobriu «modificações patológicas» no órgão de Ulrike Meinhof. Segundo o cientista, isto poderia explicar o facto da ex-jornalista ter escolhido o terrorismo.
 

 

A RAF sobreviveu a uma série de detenções em 1972 e auto dissolveu-se em 1998, deixando para trás 34 mortos.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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