Alterações na ventilação podem duplicar o número de pulmões para transplante

Estudo publicado no “Journal of American Medical Association”

08 fevereiro 2011
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Pequenas mudanças na utilização dos ventiladores poderão quase duplicar o número de pulmões disponíveis para transplante, refere um estudo publicado no “Journal of American Medical Association”.

 

Muitos pulmões de potenciais dadores deterioram-se entre o tempo em que o paciente é declarado cerebralmente morto e o tempo em que os pulmões são avaliados para determinar se são adequados para transplante. Este estudo, liderado por Marco Ranieri, da Universidade de Turim, Itália, determinou que a deterioração pode ser, em parte, devido à estratégia ventilatória utilizada enquanto potenciais dadores foram observados antes de ser declarada a morte cerebral.

 

A equipa experimentou uma "estratégia protectora pulmonar" em pacientes de 12 hospitais em Espanha e em Itália, que resultou num aumento significativo do número de dadores viáveis que foram transplantados. A estratégia envolveu o uso de um menor “volume corrente", o que significa que menos ar era bombeado para os pulmões em cada respiração, para evitar danos nos pulmões. É também usada maior "pressão expiratória final positiva" a quantidade de pressão aplicada pelo ventilador no final de uma expiração, para evitar o colapso dos pulmões.

 

"Muitos pacientes que estão à espera de transplantes pulmonares morrem antes de conseguir um transplante porque não há órgãos suficientes", disse, em comunicado, Arthur Slutsky, membro da equipa de investigação, acrescentando que "ao utilizar essa estratégia protectora pulmonar, pode-se, essencialmente duplicar o número de pulmões disponíveis para transplante."

 

O estudo envolveu 118 pacientes. Dos 59 pacientes tratados com ventilação convencional, 32 (54%) preencheram os critérios de elegibilidade para dadores de pulmão. Entre aqueles que seguiam a estratégia protectora pulmonar, 56 (95%) preencheram os critérios. Numa última análise, o dobro do número de pulmões, foi transplantado no grupo tratado com a estratégia protectora pulmonar. "Isto é muito simples e fácil de implementar", disse Slutsky, acrescentando não se tratar de um novo fármaco ou equipamento. “Só se tem de mudar um pouco o ventilador".

 

Embora alguns médicos e hospitais possam já estar a seguir uma "estratégia protectora pulmonar" semelhante, trata-se do primeiro ensaio clínico publicado que mostra que funciona, o que poderá levar a uma mudança nos “standards” que todos os hospitais. "Se isso for adoptado amplamente, pensamos que aumentará o número de pulmões disponíveis para transplante, aumentará a qualidade de vida para algumas pessoas e, provavelmente, salvará a vida de algumas pessoas que estão em lista de espera".

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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