Alterações na retina indicadoras de alterações cerebrais

Estudo publicado no “Journal of Experimental Medicine”

29 agosto 2014
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A perda de células na retina é um dos primeiros sinais de demência frontotemporal nos indivíduos com risco genético para a doença, revela um estudo publicado no “Journal of Experimental Medicine”.


Ao estudarem indivíduos com uma mutação associada à demência frontotemporal, os investigadores da Universidade da Califórnia, nos EUA, constataram que antes mesmo da presença de quaisquer sinais cognitivos de demência, estes pacientes apresentavam uma retina significativamente mais fina, comparativamente com os indivíduos sem risco genético para a doença.


“Estes resultados sugerem que a retina funciona como um tipo de janela do cérebro. A degeneração da retina foi detetável nos indivíduos com mutação genética mesmo antes do início dos sintomas cognitivos, o que faz do adelgaçamento da retina um dos primeiros sinais observáveis da demência frontotemporal”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Ari Green.


Apesar de a retina estar localizada no olho, esta é constituída por neurónios que têm uma ligação direta ao cérebro. Assim, o estudo da retina é uma das formas mais fáceis e acessíveis de analisar e monitorizar as alterações nos neurónios.


Os investigadores também descobriram novos mecanismos através dos quais a morte celular ocorria na demência frontotemporal. Constatou-se que havia uma deficiência numa proteína, a progranulina, a qual estava associada a uma localização errada de uma outra proteína crucial, a TDP-43.


O estudo apurou ainda que havia uma depleção da TDP-43 do núcleo das células antes dos sinais neurodegenerativos ocorrerem. Estes resultados sugerem que esta perda pode ser uma causa direta da morte celular associada à demência frontotemporal


“Através destes resultados, sabemos agora que não só uma menor espessura da retina pode funcionar como marcador pré-sintomático da demência, mas conseguimos obter um maior conhecimento sobre os mecanismos envolvidos na demência frontotemporal, os quais podem conduzir a novos alvos terapêuticos", conclui o líder do estudo, Li Gan.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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