Alterações do colesterol HDL pode prever risco cardiovascular

Estudo publicado na revista “Clinical Journal of the American Society of Nephrology”

02 dezembro 2014
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Investigadores austríacos constataram que alterações nos níveis de colesterol HDL (“bom colesterol”) podem estar associadas a um risco de doenças cardiovasculares, dá conta um estudo publicado no “Clinical Journal of the American Society of Nephrology”.
 

Através do desenvolvimento de um novo teste, os investigadores da Universidade de Viena, na Áustria, demonstraram pela primeira vez que a presença de determinadas proteínas no HDL pode levar a um aumento do risco de doença cardiovascular e mortalidade.
 

O HDL é uma classe de proteínas que desempenha um papel importante no metabolismo do colesterol. Esta lipoproteína faz com que o colesterol seja transportado para o fígado, onde é metabolizado.
 

Elevados níveis de colesterol HDL são considerados benéficos e acredita-se que estes protejam contra doenças cardiovasculares, como enfartes agudos do miocárdio e a acidentes vasculares cerebrais. Atualmente, a prática clínica apenas mede a quantidade de colesterol no HDL (conhecido como HDL-C) e o efeito protetor contra a doença cardiovascular futura advém desta medição. Apesar de esta relação ser verdade para a população saudável, alguns estudos têm demonstrado que, em muitas doenças crónicas, como doenças coronárias, diabetes mellitus ou em pacientes em diálise, a quantidade de HDL-C no sangue não pode ser utilizada como um marcador de prognóstico.
 

Assim, são necessários novos métodos para estimar melhor o risco de doença cardiovascular. O estudo refere ainda que mais de 50% do HDL é composto por proteínas diferentes, sendo precisamente esta composição proteica que fica alterada na presença de determinadas doenças.
 

Os investigadores deste estudo já tinham demonstrado que as proteínas SAA e SP-B encontravam-se aumentadas no HDL de pacientes em diálise e que isto poderia contribuir para a perda do seu efeito protetor.
 

Os investigadores desenvolveram agora um teste inovador que pode medir rapidamente e diretamente estas proteínas no HDL. Este teste foi avaliado em 1.200 pacientes que estavam a ser submetidos à diálise.
 

Os investigadores apuraram que havia uma associação entre elevados níveis de SAA no HDL e um número aumentado da ocorrência de enfartes agudos do miocárdio, enquanto os níveis elevados de SP-B funcionaram com um marcador geral do aumento do risco da mortalidade.
 

"Os valores de HDL-C continuam a ser importantes, no entanto, o novo teste também permitirá, no futuro, prever com mais precisão o risco de doenças cardiovasculares, o que permitirá iniciar a terapia muito mais cedo, nomeadamente através de modificações do estilo de vida, com o objetivo de melhorar o prognóstico”, concluem os autores do estudo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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