Alteração para a hora de inverno traz mais riscos que benefícios

Declarações do presidente da Associação Portuguesa de Cronobiologia e Medicina do Sono

24 outubro 2016
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A alteração dos ponteiros do relógio para a hora de inverno traz “mais riscos que benefícios” devido à “súbita exigência de mudança” do “tempo interno” das pessoas, referiu o presidente da Associação Portuguesa de Cronobiologia e Medicina do Sono.
 
Os relógios vão atrasar uma hora, na madrugada de 29 para 30 de outubro, dando início ao horário de inverno, uma mudança que, segundo Miguel Meira Cruz, tem impactos negativos na saúde. 
 
“Apesar de o impacto ser claramente maior no recuo que exigimos ao tempo em meados de março, qualquer das direções em que se proceda uma mudança súbita num relógio de adaptação lenta, como o que temos no cérebro, tem prejuízos significativos e potencialmente graves”, referiu Miguel Meira Cruz num comunicado enviado à agência Lusa.
 
O especialista explicou que uma hora a mais de sono pode, em teoria, promover o bem-estar de quem se encontra privado desta necessidade, sendo o impacto deste benefício maior nas pessoas que se deitam mais tarde e tendencialmente se levantam mais tarde ou naqueles que atrasam a sua hora de deitar, como acontece com adolescentes. 
 
No entanto, verifica-se que “as atitudes não acompanham as intenções e este ganho tem provavelmente uma influência menor”, sublinha. 
 
Além disso, “os matutinos privados de sono, podem sofrer mais nos dias subsequentes à mudança para a hora de inverno”, dado que para “além da menor flexibilidade na resposta a mudanças, as condicionantes impostas pelo novo horário afetam o humor”.
 
Alguns dos sintomas causados pela alteração da hora incluem a prevalência de alguns tipos de dores de cabeça, nomeadamente a cefaleia hípnica (surge durante o sono) e a cefaleia em salvas (dor muito forte só num lado da cabeça).
 
De acordo com Miguel Meira Cruz, “estas condições são frequentemente desencadeadas por alterações nos ritmos circadiários estabelecidos naturalmente”. 
 
Uma vez que a “capacidade de alerta” da pessoa oscila com o “caráter circadiário” e com o aumento do tempo na escuridão, o risco de acidentes também fica aumentado.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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