Alteração de foco responsável por défice de memória na meia-idade

Estudo publicado no “NeuroImage”

29 julho 2016
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A perda de memória associada ao início da meia-idade poderá dever-se a uma alteração do foco durante a formação e a recuperação da memória e não a um declínio cognitivo, indica um estudo publicado na revista “NeuroImage”.
 

Considera-se que as alterações cerebrais responsáveis pela demência surgem vários anos antes da manifestação dos primeiros sintomas. Uma das questões centrais da investigação sobre a memória tem a ver com a distinção entre as alterações consideradas normais e anormais decorrentes do envelhecimento cerebral. Contudo, pouco se sabe sobre o envelhecimento cerebral saudável na meia-idade e qual a relação deste com os achados mais tarde na vida.
 

Nesse âmbito, os cientistas da Universidade McGill, no Canadá, levaram a cabo um estudo com 112 indivíduos saudáveis, com idades compreendidas entre os 19 e 76 anos. Aos participantes foi mostrada uma série de caras e depois foi-lhes pedido que se recordassem onde e quando uma determinada cara tinha aparecido (à direita ou à esquerda e mais ou menos recentemente). Para monitorizar a atividade cerebral dos participantes enquanto realizavam a prova, os cientistas usaram ressonância magnética funcional.
 

Os dados recolhidos revelaram que os participantes mais jovens apresentaram melhor desempenho do que os mais velhos. Os adultos jovens ativaram o córtex visual quando desempenhavam com sucesso a tarefa de reconhecimento, o que, na opinião dos cientistas, revela que estavam a prestar atenção aos aspetos percetuais para tomar uma decisão. Os indivíduos de meia-idade, por seu lado, não apresentaram o mesmo nível de ativação do córtex visual, mas sim do córtex pré-frontal medial, uma zona do cérebro associada a informação introspetiva.
 

Natasha Rajah, autor sénior do estudo, alerta, no entanto, em declarações reproduzidas em comunicado difundido pela universidade americana, de que esta resposta do cérebro dos indivíduos de meia-idade não deverá ser considerada um défice cognitivo, mas antes uma alteração do foco.
 

“Isto poderá não ser um défice da função cerebral per se, mas refletir alterações naquilo que os adultos consideram informação importante à medida que envelhecem”, esclarece o cientista. Isto significa que os participantes de meia-idade estariam simplesmente a focar-se em outros aspetos do evento, quando comparados com os participantes mais jovens.
 

Como tal, Rajah aconselha os indivíduos mais velhos a focaram-se na informação externa, em vez da interna, como forma de melhorar as suas capacidades de memória.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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Comentários 2 Comentar

informacao externa e interna

como poderemos diferenciar a informação interna da externa. É como trabalhar a externa?

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