Alimentos podem ser aditivos?

Estudo liderado pela Universidade de Granada

02 setembro 2015
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Uma equipa internacional de investigadores descobriu que o desejo de comer ativa diferentes vias cerebrais nos indivíduos obesos e naqueles que têm peso normal. Este estudo indica que a tendência para querer comer pode estar intrínseca no cérebro dos indivíduos com excesso de peso, convertendo-se num biomarcador funcional do cérebro.
 

A obesidade é um dos problemas mais difíceis com que a sociedade moderna se depara atualmente. Tratar a obesidade é uma prioridade para a saúde, mas a maioria dos esforços (com exceção de cirurgia bariátrica) tem pouco sucesso. Em parte, isto ocorre porque os mecanismos associados ao desejo de comer são mal compreendidos. Alguns estudos recentes têm sugerido que os mecanismos cerebrais envolvidos na obesidade podem ser semelhantes aos da dependência de substâncias, e que as metodologias de tratamento pode ser abordadas do mesmo modo que outras formas de adição, tais como álcool ou dependência de drogas.
 

De forma a testar esta hipótese, os investigadores da Universidade de Granada, em Espanha e da Universidade de Monash, na Austrália, analisaram as diferenças na conectividade funcional dos sistemas de recompensa de indivíduos obesos e com peso normal.
 

Os investigadores ofereceram um buffet a 39 indivíduos obesos e a 42 com peso normal. Posteriormente, os participantes foram submetidos a ressonâncias magnéticas funcionais tendo também visualizado imagens de alimentos para estimular o desejo de ingerir alimentos. Os exames imagiológicos demonstraram que o desejo de comer estava associado a diferenças na conectividade cerebral e que estas dependiam do facto de os indivíduos terem excesso de peso ou peso normal.
 

O estudo apurou que nos indivíduos obesos, o estímulo do desejo de comer estava associado a uma maior conectividade entre a parte dorsal do núcleo caudado e o córtex somatosensorial, envolvidos nos hábitos associados à recompensa e codificação do valor energético dos alimentos, respetivamente. Contudo, nos indivíduos com peso normal o desejo de comer foi associado a uma maior conectividade entre diferentes partes do cérebro, como o putâmen ventral e o córtex orbitofrontal.
 

Os investigadores mediram também o Índice de Massa Corporal (IMC) três meses depois e constataram que 11% do peso ganho nos indivíduos obesos poderia ser previsto através da presença de um aumento de conectividade entre a parte dorsal do núcleo caudado e o córtex somatosensorial do cérebro.
 

“Há uma controvérsia sobre se a obesidade pode ser chamado de uma "adição pela comida", mas na verdade não há muitos estudos que mostrem se isto é ou não verdade. Os resultados do nosso estudo suporta a ideia de que, na obesidade, o processamento de recompensa após estímulo alimentar está associado a alterações neurais semelhantes às encontradas na dependência de substâncias”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Oren Contreras-Rodríguez.
 

Na opinião do investigador, estes achados fornecem potenciais biomarcadores cerebrais que podem ser utilizados para controlar a obesidade, nomeadamente através de farmacoterapias e técnicas de estimulação cerebral que podem ajudar a controlar o consumo de alimentos em situações clínicas.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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