Alimentação combate o jet-leg

Mais do que a luz, os horários das refeições podem alterar o relógio biológico

24 maio 2005
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O corpo tem um relógio interno que afecta sinais vitais como a temperatura e a pressão sanguínea e também influencia o nosso horário de sono e vigília.
 

 

Embora muitos especialistas argumentem que a luz tenha a maior influência sobre o funcionamento desse relógio, algumas provas científicas sugerem que o que e quando comemos pode desempenhar um papel igualmente --se não mais-- importante.
 

 

As conclusões dos novos estudos realizados por Steven McKnight e colaboradores do Centro Médico Southwest, da Universidade do Texas, em Dallas, EUA, reforçam a hipótese de que a alimentação tem um efeito significativo no nosso relógio interno, denominado ritmo circadiano.
 

 

Independentemente do factor mais predominante --alimento ou luz--, as provas, cada vez mais numerosas, sugerem que, por exemplo, as pessoas que viajam para um fuso horário diferente deveriam adoptar o horário das refeições do novo local para ajudar a combater o «jet-lag», disse McKnight à Reuters.
 

 

Se uma companhia aérea oferece uma refeição grande que combina com o local que vai deixar, mas não com aquele para o qual está a ir, os cientistas sugerem optar por não comer e tentar treinar o estômago a adoptar o horário do seu local de destino.
 

 

Experiências anteriores mostraram que em ratinhos _ que normalmente dormem de dia _ podem ser ensinados a reverter o seu «horário» sendo alimentados apenas de dia. A análise genética desses animais alterados revela que os genes que foram activados quando dormiram durante o dia estavam «desligados» -- e vice-versa -- indicando que o seu corpo tinha sofrido alterações internas para se adaptar à mudança.
 

 

McKnight foi mais longe ao descobrir mais pormenores a respeito de como a comida pode influenciar os ritmos circadianos. A alimentação fornece uma certa quantidade de «combustível» ao organismo, que fica armazenada sob a forma de uma substância conhecida como NADPH. Quando aquele «combustível» é totalmente usado, é convertido em NADP.
 

 

Os cientistas demonstraram que o factor de transcrição do gene _conhecido como relógio e que controla a maneira como o nosso corpo se ajusta a certos períodos _ pode sentir qual a relação entre a quantidade de NADP e de NADPH e agir de acordo. Nos seres humanos, por exemplo, de manhã o corpo contém pouco NADPH em relação ao NADP, já que à noite, o combustível é gasto em vez de ser adicionado por meio de refeições.
 

 

Essa proporção de NADP em relação ao NADPH pode indicar ao factor de transcrição que se comporte de uma certa maneira -- nos seres humanos ajuda a dizer ao relógio biológico que é a hora do despertar.
 

 

A equipa de McKnight obteve novos resultados que ajudam a ligar os ritmos circadianos ao metabolismo. McKnight demonstrou que os ratinhos que não possuem o factor de transcrição do gene «relógio» são incapazes de dormir durante a noite quando são alimentados apenas durante o dia. Os ratinhos tendem a passar muitas das suas horas de vigília a correr na roda e aqueles que não possuem esse regulador do relógio biológico também são incapazes de passar pelas brasas entre as ondas normais de actividade, um hábito característico dos ratinhos.
 

 

Para McKnight todas as provas anteriores demonstram que o alimento tem uma influência bem mais forte sobre os ritmos circadianos do que a própria luz.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

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