Alicina... a substância «milagrosa» do alho
06 dezembro 2001
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O alho tem sido usado desde sempre para os mais variados fins. Desde afastar os vampiros até ao combate às bactérias passando pelo tratamento do pé de atleta ao tempero do esparguete.
 

 

Depois de inúmeras análises químicas, os cientistas chegaram à conclusão de que a grande riqueza do alho, Allium sativum, se encontra nos seus componentes – mais de trinta já foram isolados – especialmente nos derivados de enxofre (sulfatados). Entre eles, o mais importante é, sem dúvida, a alicina (di-propenyl tiosulfinato), responsável pela maioria das propriedades farmacológicas da planta.
 

 

Na verdade, a alicina, um líquido de coloração amarelada, só aparece de facto quando o alho é mastigado ou cortado, libertando-se das células quando a sua integridade estrutural é violada. Esta substância desempenha uma acção muito importante na defesa da planta contra insectos, fungos e bactérias existentes na fauna própria do solo, além de ser a responsável pelo seu forte odor característico.
 

 

Apesar de já se conhecerem muitas das propriedades da alicina, esta substância não deixa de suscitar o interesse científico de muitos investigadores por este mundo fora. Desta vez o interesse veio de David Mirelman, bioquímico no Weizmann Institute of Science.
 

 

Este cientista coordenou uma equipa que clonou o gene codificador da alicina. Depois da clonagem deste gene, os cientistas produziram e conseguiram estabilizar esta substância altamente volátil que, segundo estes investigadores, é responsável por tudo o que de bom e mau tem o alho.
 

 

Os testes conduzidos por D. Mirelman e seus colaboradores vieram confirmar as conclusões de outros estudos anteriores: a alicina é muito eficaz na prevenção da hipertensão, no tratamento da diabetes e da diarreia, na diminuição do risco de enfarte e na destruição de células cancerosas.
 

 

As experiências realizadas por esta equipa, em ratos, revelaram que o alho previne o aumento de peso e pode mesmo ajudar a perder os quilos excedentários.
 

 

Droga maravilhosa!
 

 

Numa entrevista à Reuters Health, D. Mirelman apelida a alicina como uma «droga maravilhosa», afirmando que ela pode ser incluída no mesmo grupo da aspirina.
 

 

A aspirina foi descoberta há cerca de um século e é utilizada para diversos fins, sendo eficaz na prevenção de derrames sanguíneos, entre muitas outras acções farmacológicas, como as acções antipirética e analgésica. No entanto, a aspirina não é um antibiótico.
 

 

Segundo D. Mirelman, a alicina tem um efeito antibiótico. «Isto, nós conseguimos provar. Ela mata microorganismos,» afirmou este investigador. Aliás, esta é a sua principal função que esta substância desempenha na planta: protegê-la dos microorganismos do solo.
 

 

A inovação do trabalho de D. Mirelman e seus colaboradores reside na possibilidade de síntese laboratorial da alicina. Desta forma, abrem-se as portas à produção de medicamentos com base nesta substância.
 

 

O papel do alho ao longo da História da Humanidade
 

 

O alho é um ingrediente utilizado na medicina desde há milhares de anos e as suas virtudes farmacológicas não passaram despercebidas ao longo da História da Humanidade.
 

 

O vigor de Allium sativum é o tema central de lendas e a inspiração de muitos poetas clássicos e até é referido na própria Biblia, quando os israelitas lamentam o alho deixado no Egipto quando fugiram com Moisés.
 

 

Em vários registos hieroglíficos se mostra que o alho foi dado aos escravos que construíram as pirâmides para os manter fortes e saudáveis. Também na Grécia Antiga os atletas comiam alho crú antes das competições e os soldados romanos comiam a rama da planta antes de irem para as batalhas.
 

 

De facto, o alho era a arma secreta do Império Romano. Os centuriões comiam alho para prevenir doenças, especialmente as provocadas pelas bactérias patogénicas ao aparelho digestivo. Hipócrates, o pai da Medicina, recomendou o alho o tratamento de infecções, feridas, distúrbios digestivos e mesmo da lepra.
 

 

Na Idade Média, o alho foi muito utilizado para prevenir a propagação da peste negra e também era um poderoso amuleto que espantava os demónios e vampiros.
 

 

Já durante a Primeira Guerra Mundial, foi usado na prevenção de gangrenas quando os hospitais de campanha tinham falta de penicilina e de sulfamida.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI - Médicos Na Internet

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