Alheira de Mirandela incluída na dieta de doentes renais?

Proposta pretende atenuar problema de subnutrição de proteínas

15 janeiro 2015
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Apesar de poder parecer um contrassenso, a prescrição de uma alheira para a dieta de um doente renal, uma clínica de hemodiálise de Mirandela acaba de contrariar esta ideia com um enchido adaptado às necessidades de quem sofre da doença.
 

De acordo com a notícia avançada pela agência Lusa, o alimento que foi apresentado esta semana resulta de um desafio lançado pela empresa Tecsam, responsável pela unidade de Mirandela, à Faculdade de Ciências de Nutrição do Porto.
 

Os promotores garantem criar um alimento que pode também ajudar a atenuar o problema de subnutrição de proteínas de que sofrem alguns doentes renais em hemodiálise, por não comerem carne e peixe.
 

A responsável do estudo, Olívia Pinho, confessou que quando foi confrontada com o desafio hesitou por lhe parecer um contrassenso dar alheira, um enchido gordo e salgado, a estes doentes. Contudo, estas desconfianças desvaneceram-se após a empresa de Mirandela lhe ter apresentado a ideia que surgiu da dificuldade em alimentar os hemodialisados, que ficam com um baixo teor de proteína, com perda de músculo e por vezes desnutrição.
 

Após ter analisado várias alheiras, produzidas nesta região de Trás-os-Montes, encontrou aquela que tem o ponto certo para estes doentes: um enchido à base de carne de aves, com azeite, pão e ervas aromáticas, em vez da carne de porco, banha e alho.
 

A investigadora alerta, contudo que “tem de se ter muito cuidado e alguma vigilância sobre os restaurantes que vão aderir” e “atenção à quantidade” que os doentes vão ingerir.
 

Uma das principais produtoras de alheira em Mirandela, Sónia Carvalho, forneceu alguns produtos para a fase de investigação e garantiu que, nos estudos realizados, a tradicional alheira de caça que confeciona foi aprovada com apenas alguns ajustes nos teores de sal.
 

Os produtores vão poder comercializar este enchido com um rótulo adaptado a chamar a atenção de que pode ser consumido por estes doentes.
 

O administrador da empresa responsável pelo centro de hemodiálise, Nunes Azevedo, explicou como surgiu esta ideia e o novo produto já experimentado entre os cerca de 100 doentes que fazem tratamento nesta unidade. “Aos doentes que têm resistência à ingestão de carne e peixe, sempre que lhes fazia a pergunta: e uma alheira, come? A resposta era 100 % positiva e, daí, surgiu esta ideia”, contou.
 

O curioso, continuou, é que, embora com menos sal e com estas caraterísticas, “os doentes saborearam a alheira e gostaram imenso dela”.
 

A empresa vai agora realizar um estudo em doentes desnutridos, a quem será dada uma alheira no final de cada sessão de hemodiálise para perceber de que forma contribui para atenuar o problema de desnutrição proteica.
 

As conclusões serão apresentadas no congresso português de nefrologia e na Associação europeia de diálise e transplante.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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