Alguns pacientes com cancro da tiróide recebem iodo radioactivo sem necessidade

Estudo publicado no “Journal of the American Medical Association”

22 agosto 2011
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Alguns pacientes com cancro da tiróide numa fase inicial podem estar a receber iodo radioactivo desnecessariamente, enquanto outros, com tumores mais avançados, que deviam ser submetidos ao tratamento, não o recebem, sugere um estudo, realizado nos EUA, e publicado no “Journal of the American Medical Association”.

 

Quando detectado precocemente, este tipo de tumor tem bom prognóstico, podendo ser tratado por remoção cirúrgica da tiróide, sendo que a maioria das pessoas sobrevive.

 

Muitas vezes, os pacientes são tratados com iodo radioactivo para eliminar qualquer tecido canceroso. Mas o novo estudo descobriu uma grande variação de um hospital para outro na percentagem de pacientes com cancro da tiróide que receberam iodo radioactivo.

 

"Verificámos que havia uma grande variação no uso de iodo radioactivo nos hospitais. Essa variação sugere incertezas; que os médicos não têm a certeza de quando é (ou não) indicado o uso de iodo radioactivo", disse em comunicado de imprensa o autor do estudo, Megan Haymart, professor assistente de medicina interna na Universidade de Michigan.

 

Segundo o estudo, as actuais directrizes recomendam o uso de iodo radioactivo para reduzir a recorrência de cancro da tiróide avançado, incluindo tumores maiores, que pareçam propagar-se além da tiróide. Para a doença menos avançada, de "baixo risco", a investigação não sugere o uso geral de iodo radioactivo, aponta Haymart.

 

Para determinar como o iodo radioactivo era usado nos hospitais norte-americanos, os investigadores analisaram as informações do banco nacional de dados do cancro daquele país. Quase 190 mil pacientes com cancro da tiróide foram tratados em 981 hospitais, entre 1990 e 2008. Durante este período, o uso de iodo radioactivo aumentou de 40%, em 1990, para 56% em 2008.

 

Embora os pacientes que tinham a doença de "baixo risco" (estágio 1) tivessem sido menos propensos a receber iodo radioactivo que os pacientes com cancro da tiróide avançado (estágio 4), pessoas com cancro entre os estágios 2 e 3 foram tão propensas a receber o tratamento como aqueles que tinham tumores de estágio 4.

 

As probabilidades de receber iodo radioactivo também estavam muito relacionadas com o hospital em que as pessoas eram tratadas. Em geral, cerca de 37% das mulheres com menos de 45 anos, com tumores de estágio 1, receberam iodo radioactivo. Mas esta variou de 0% nalguns hospitais e mais de 90% noutros.

 

Para um caso de alto risco, por exemplo, um homem com mais de 45 anos com a doença nos estágios 3 ou 4, as probabilidades de receber iodo radioactivo variou de 25% nalguns hospitais a 90% noutros. Neste caso, as directrizes propõem que deva ser tratado com iodo.

 

O tratamento com iodo radioactivo comporta alguns riscos, inclusive um pequeno aumento na probabilidade de desenvolver leucemia ou danos nos tecidos circundantes, tais como as glândulas salivares. As mulheres devem evitar a gravidez, de seis meses a um ano, e devem manter-se afastadas de crianças pequenas cerca de uma semana após o tratamento.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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