Alguns cérebros têm sistema de defesa contra drogas
15 abril 2002
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O cérebro de algumas pessoas tem o seu próprio sistema de defesa contra o poder viciante da cocaína, segundo um estudo da Universidade Rockefeller publicado na revista American Journal of Medical Genetics.
 

 

A investigadora principal, Mary Jeanne Kreek, explicou que a dinorfina, uma sustância opióide naturalmente presente no cérebro, funciona em alguns indivíduos como antídoto para os efeitos perigosos da cocaína.
 

 

As pessoas que possuem uma versão de "alta produção" do gene da dinorfina estão possivelmente mais protegidas contra a dependência ou o abuso do consumo de cocaína do que as que têm uma versão que produz baixos níveis da substância.
 

 

"Estes resultados são preliminares mas sugerem claramente que existem diferenças genéticas na codificação para a dinorfina que estão relacionadas com as variações de vulnerabilidade ao abuso de cocaína", acrescentou no estudo publicado domingo.
 

 

"Este tipo de conhecimento é importante para o desenvolvimento de tratamentos tanto preventivos como curativos" para os viciados deste narcótico, explicou Kreek, médica do hospital Rockefeller.
 

 

Kreek, juntamente com o professor emérito de Rockefeller Vincent Dole e a sua mulher, Marie Nywander, foram pioneiros nos tratamentos com metadona para os viciados em heroína há 40 anos.
 

 

Novo teste
 

 

O novo estudo de associação genética comparou as amostras de ácido desoxirribonucleico (ADN) de 174 pacientes, incluindo 83 pessoas diagnosticadas com dependência ou abuso de cocaína, e 91 indivíduos sem antecedentes de abuso de qualquer substância.
 

 

"Felizmente, tivemos para este estudo indivíduos bem caracterizados", disse Andrew Chen, o primeiro autor do estudo na Universidade Rockefeller.
 

 

"Os sujeitos que observámos tinham sido diagnosticados sob critérios muitos estritos, um facto que sustenta as nossas conclusões", acrescentou.
 

 

A dinorfina faz parte do sistema natural de opióides no corpo.
 

 

Estas moléculas, que actuam sobre os seus receptores opióides correspondentes, são responsáveis pela atenuação da dor, criando uma sensação de euforia e aumento de energia.
 

 

Desempenham igualmente um papel no funcionamento normal dos sistemas gastrointestinal e imunitário, e modulam a forma como o corpo lida com o stress.
 

 

 

A excepção
 

 

Os opiácios viciantes, em que se incluem a heroína, a morfina e outros analgésicos como a codeína, têm estruturas semelhantes aos opióides produzidos naturalmente pelo corpo e por isso actuam sobre os mesmos receptores, estimulando-os.
 

 

No entanto, a cocaína actua principalmente sobre os circuitos de "recompensa" do cérebro, aumentando os níveis de dopamina e de outros neurotransmissores em áreas específicas do cérebro.
 

 

Investigações mais recentes mostraram que a cocaína, tal como a heroína, actua também sobre o sistema de produção natural dos opióides, incluindo a dopamina. Todos os estudos combinados sugerem que a dinorfina aumenta depois da administração da cocaína, como forma de resistir aos efeitos da droga.
 

 

No entanto, em circunstâncias normais, este aumento da dinorfina pode não ser suficiente para proteger uma pessoa contra o vício.
 

 

Fonte: Lusa
 

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