Algoritmo desvenda efeitos secundários criados por interações medicamentosas

Estudo publicado na “Science Translational Medicine”

19 março 2012
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Investigadores americanos desenvolveram um algoritmo informático capaz de identificar os “verdadeiros” efeitos secundários dos fármacos, dá conta um estudo publicado na “Science Translational Medicine”.

 

Este método, desenvolvido pelos investigadores da Stanford University School of Medicine, nos Estados Unidos, é capaz de identificar interações inesperadas entre fármacos distintos, como a que existe entre um tipo de um antidepressivo e um fármaco habitualmente utilizado no tratamento da hipertensão, que aumenta significativamente o risco de um indivíduo morrer de problemas cardíacos.

 

“Os indivíduos com 70 anos tomam, em média, sete fármacos diferentes”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Russ Altman. “A Food and Drug Administration (FDA) tem uma base de dados para os pacientes e médicos que informa sobre os possíveis efeitos farmacológicos, mas é muito difícil de descobrir os verdadeiros efeitos secundários pois as pessoas têm um historial médico muito variável, assim como doenças, regimes terapêuticos e idade”.

 

A base de dados da FDA contém mais de 4 milhões de informações, mas não há nenhuma forma de saber se a febre, erupções cutâneas, tonturas e convulsões são uma reação secundária verdadeira, o resultado da combinação de medicamentos ou até um evento circunstancial.

 

Assim, os investigadores criaram uma forma de desenvolver um tipo de estudo controlo, diretamente sobre a informação daquela base de dados, juntando grupos de pessoas o mais homogéneos possível, permitindo apenas variações num único fármaco. Caso um número significativo de indivíduos que tomavam o mesmo fármaco reportasse um efeito secundário, como dor de cabeça, e não sendo esta sintomatologia reportada por aqueles que não tomavam o mesmo medicamento, era provável que o medicamento fosse a causa do sintoma. Um método semelhante pode ser utilizado para analisar as interações entre fármacos.

 

Os autores do estudo utilizaram esta técnica na base de dados da FDA para descobrir efeitos secundários e interações terapêuticas ainda por identificar. Para testar as suas previsões utilizaram os registos eletrónicos de pacientes do Stanford Hospital & Clinics, tendo confirmado que 47 interações farmacológicas eram de fato verdadeiras.

 

Assim, para além de poder ajudar os médicos a escolher a prescrição mais adequada para os pacientes este método poderá também ajudar a identificar os medicamentos com efeitos secundários semelhantes.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

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