Alergias da Primavera

30 por cento dos portugueses sofrem de problemas alérgicos

15 maio 2003
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Aos primeiros raios de Sol despertam os sintomas das alergias primaveris, um quadro que inferniza já trinta por cento da população portuguesa, para quem a época é de espirros frequentes, nariz obstruído e olhos lacrimejantes.
 

 

O número de pessoas afectadas por estas alergias, também designadas por polinoses, aumentou cerca de cinco vezes nos últimos 30 anos, e os especialistas consideram que a tendência não deverá sofrer alterações, devido às características da vida moderna.
 

 

«Vivemos hoje em dia em zonas mais urbanizadas, mais poluídas, o que potencia a predisposição para as alergias», explicou, em declarações à Agência Lusa, a imuno-alergologista Margarida Ferreira Trindade.
 

 

«Além disso, o estilo de vida moderno faz com que as pessoas passem grande parte do seu tempo em ambientes interiores, onde estão mais expostas aos ácaros, ao pó, aos ares condicionados, cuja assistência muitas vezes é deficiente e ao fumo do tabaco», continuou.
 

 

Os especialistas definem como indivíduo alérgico aquele cujo organismo reage com excessiva sensibilidade a elementos habitualmente inofensivos, como o pólen das plantas, libertado pelos ventos primaveris.
 

 

No entanto, apesar desta sensibilidade do sistema imunológico dos indivíduos alérgicos, a poluição «torna mais agressivos todos estes elementos, aos quais somos expostos desde muito pequenos», disse Ferreira Trindade à Lusa.
 

 

Teoria da higiene
 

 

Outra possível explicação para o crescente aumento das alergias alicerça-se na «teoria da higiene», que defende que o excessivo controlo das infecções nas sociedades modernas faz com que o organismo humano reaja a substâncias da vida corrente, quase que por falta de treino.
 

 

No entanto, os especialistas continuam sem saber por que razão algumas substâncias desencadeiam reacções alérgicas e outras não.
 

 

Um factor a ter em consideração é a predisposição genética, uma vez que existem 40 por cento de probabilidades de uma criança sofrer de alergias se um dos pais tiver a mesma condição médica e 60 por cento quando ambos são alérgicos.
 

 

De um modo geral, as alergias manifestam-se através de doenças do foro respiratório (asma, rinite ou conjuntivite), dermatológico (eczemas e urticária) ou outros (diarreias, por exemplo).
 

 

No entanto, a rinite é a doença alérgica mais comum, afectando já cerca de trinta por cento da população portuguesa, segundo o alergologista Nuno Neuparth.
 

 

Os dois tipos de rinite existentes distinguem-se pela respectiva duração. A intermitente ocorre nos meses de Março a Maio, altura em que o pólen é libertado, provocando obstrução nasal, prurido e lacrimejo.
 

 

Sintomas semelhantes aos da rinite persistente, que se manifesta durante todo o ano por ter na sua origem uma sensibilidade alérgica ao pó e ácaros (animais de dimensões microscópicas que se acumulam nas alcatifas, colchões, cobertores ou tapetes).
 

 

Para todos os que não param de espirrar aos primeiros raios de Sol na Primavera, o conselho de Margarida Ferreira Trindade é evitar, na medida do possível, a exposição à substância que desencadeia a alergia: o alergénio.
 

 

Para isso, é necessário saber o que está por trás dos espirros frequentes e do nariz obstruído, consultando um especialista que irá traçar a história clínica do paciente.
 

 

Posteriormente, recorre-se a testes cutâneos de provocação, nos quais o doente é colocado, através de uma picada, em contacto directo com várias substâncias alergénias, de forma a averiguar àquelas a que o seu organismo reage.
 

 

A solução para evitar três meses vividos entre lenços de papel passa por medicamentos anti-histamínicos ou pela imunoterapia, vacinas para as alergias que modificam o comportamento do sistema imunológico, diminuindo a reacção ao contacto com o alergénio.
 

 

Fonte: Lusa
 

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