Alergias alimentares nas crianças: novas pistas

Estudo publicado no “The ISME Journal”

24 setembro 2015
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As crianças alérgicas ao leite de vaca que desenvolvem tolerância após tratamento com probióticos têm bactérias intestinais distintas das que continuam com a alergia, defende um estudo publicado no “The ISME Journal”.
 
Os investigadores da Universidade de Nápoles Federico II, Itália, constataram que as crianças que desenvolveram tolerância a este alergénio tinham níveis mais elevados de determinadas estirpes de bactérias que produzem ácidos gordos de cadeia curta, como o butirato, que ajudam a manter a homeostasia no intestino. A descoberta de bactérias envolvidas na tolerância a determinados alimentos, como o leite de vaca, pode ser importante para o desenvolvimento de novos tratamentos capazes de ajudar as crianças com alergias alimentares.
 
Na última década tem havido um aumento sem precedentes relativamente à quantidade de alergias alimentares nos países desenvolvidos. A alergia ao leite de vaca é uma das mais comuns, ocorrendo em até três por cento das crianças em todo o mundo.
 
Alguns estudos têm sugerido que as influências ambientais modernas, incluindo o uso generalizado de antibióticos, a adoção de dietas com elevado teor de gordura e baixo em fibras, a exposição reduzida a doenças infeciosas, a prática de cesarianas e o leite de fórmula têm alterado a relação benéfica entre os seres humanos e as bactérias que residem no trato gastrointestinal. Esta distorção da estrutura da comunidade microbiana pode predispor os indivíduos geneticamente suscetíveis a alergias.
 
Os investigadores italianos já tinham previamente demonstrado que as crianças com alergia ao leite de vaca alimentadas com leite de fórmula suplementado com um probiótico, a bactéria Lactobacillus rhamnosus GG, desenvolviam tolerância a taxas mais elevadas, comparativamente com aquelas em que leite não continha o probiótico.
 
Estudos realizados em ratinhos também sugeriram um novo mecanismo através do qual as bactérias comensais regulavam a resposta alérgica a alimentos.
 
De forma a tentar perceber se a administração de probióticos modelava a composição bacteriana dos intestinos de forma a aumentar a tolerância ao leite de vaca, neste estudo os investigadores decidiram identificar as bactérias presentes nas amostras de fezes de crianças saudáveis, crianças alérgicas ao leite de vaca alimentadas com leite de fórmula enriquecido com Lactobacillus rhamnosus GG e aquelas que ingeriam leite de fórmula sem adição de probióticos.   
 
O estudo apurou que o microbioma intestinal das crianças com alergia ao leite de vaca era significativamente diferente das crianças que integraram o grupo de controlo, o que sugere que as diferenças na estrutura da comunidade bacteriana influencia de facto o desenvolvimento de alergias. 
 
As crianças tratadas com leite de fórmula com Lactobacillus rhamnosus GG e que desenvolveram tolerância ao leite de vaca também tinham níveis mais elevados de bactérias que produzem butirato, comparativamente com aquelas que não desenvolveram tolerância. Estes resultados sugerem que a tolerância está associada à aquisição de novas estirpes de bactérias, incluindo a Blautia e a Coprococcus, que produzem butirato.
 
“A capacidade de identificar as estirpes bacterianas que podem ser utilizadas para desenvolver novas terapias para o tratamento das alergias alimentares é um avanço muito importante”, conclui um dos autores do estudo, Jack Gilbert.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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