Alcoolismo e tabagismo podem ser tratados com mesmo fármaco

Estudo publicado no “Alcoholism: Clinical and Experimental Research”

20 fevereiro 2012
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A vareniclina, um fármaco habitualmente utilizado na cessação tabágica pode também ajudar na redução do consumo de álcool, dá conta um estudo publicado no “Alcoholism: Clinical and Experimental Research”.

 

“Os fumadores que tomam vareniclina são, aproximadamente, duas a três vezes mais propensos a permanecer abstinentes seis meses após terem deixado de fumar”, revelou, em comunicado de imprensa, a primeira autora do estudo, Emma Childs.

 

Após a sua aprovação, em 2006, vários pacientes começaram a reportar que a vareniclina também reduzia a sua ingestão de álcool, desta forma os cientistas começaram a investigar se este era um efeito real e como era produzido.

 

Neste estudo os investigadores da University of Chicago, nos EUA, contaram com a participação de 15 indivíduos, oito homens e sete mulheres, os quais foram submetidos a seis sessões de tratamento. Foi dado, diariamente, aos participantes 2mg de vareniclina ou um placebo, e três horas mais tarde uma bebida que continha 0, 0,4 ou 0,8 mg/Kg de álcool.

 

Antes e após as sessões, os investigadores avaliaram o humor dos participantes, questionando-os sobre os efeitos sentidos após o consumo de álcool, tendo também avaliado a pressão arterial e o batimento cardíaco.

 

O estudo revelou que, em comparação com os indivíduos aos quais foi dado o placebo, os que tomaram vareniclina sentiram mais náuseas, tendo a pressão arterial e o batimento cardíaco também sofrido um aumento. Após o consumo da bebida alcoólica os participantes revelaram que tinham sentido um aumento da disforia, enquanto que o efeito do álcool no movimento subconsciente dos olhos, uma medida objetiva do efeito de substância viciantes, foi reduzido.

 

“Verificámos que a vareniclina aumentou os efeitos desagradáveis do álcool e diminui o prazer do seu consumo”, revelou Emma Childs, “assim achamos que este fármaco pode reduzir o alcoolismo através da alteração dos efeitos do álcool”.

 

Hugh Myrick, professor de psiquiatria da University of South Carolina, nos EUA, acrescentou que “existem duas vias através das quais um fármaco consegue reduzir o consumo de álcool. A primeira é reduzir a recompensa. Um exemplo deste tipo de fármaco é a naltrexona, que bloqueia os recetores opiáceos, reduzindo assim a recompensa da dopamina no estriado ventral do cérebro. A segunda via consiste no aumento dos efeitos desagradáveis associados ao consumo de álcool. Ou seja, este tipo de fármaco pode causar sintomas que levam o paciente a reduzir o consumo de álcool. O dissulfiram, é um fármaco que causa efeitos desagradáveis quando se consome álcool. A vareniclina pode funcionar de um modo similar”, conclui o especialista.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

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