Alcoolismo: cientistas identificam neurónios que indicam quando parar

Estudo publicado na “Biological Psychiatry”

13 julho 2016
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A ação de determinados neurónios poderá influenciar o comportamento de consumo de álcool, revela um estudo levado a cabo por cientistas do Centro de Ciências da Saúde Texas A&M e publicado na revista “Biological Psychiatry”.
 

Estudos anteriores da equipa de investigadores da universidade norte-americana haviam já revelado que o consumo de álcool altera a estrutura física e a função dos neurónios espinhosos médios, localizados no corpo estriado dorsal. Este tipo de neurónios pode ser visto como uma árvore, que possui vários ramos e outras pequenas protrusões, como espinhos, que se projetam a partir destes. Visto que cada neurónio possui dois tipos de recetores de dopamina – D1 e D2 – estes podem ser encarados como neurónios do tipo D1 ou D2. Os neurónios do tipo D1 são aqueles que, quando ativados, incentivam à continuação da ação que os estimulou. Os neurónios do tipo 2, por outro lado, são aqueles que, quando ativados, desencorajam o indivíduo de realizar uma determinada ação, indicando que este deve esperar ou parar.
 

De acordo com Jung Wang, autor correspondente deste estudo, do ponto de vista da adição, os neurónios D2 são positivos, uma vez que “quando são ativados, inibem o comportamento de consumo de álcool”, sendo que a ativação deste tipo de neurónios é importante para evitar comportamentos de abuso de álcool.
 

Contudo, mesmo em indivíduos sem problemas com alcoolismo, o problema é que os neurónios D2 tendem a ficar inativos quando bebemos em demasia, o que significa que deixa de haver um travão ao consumo de álcool, conduzindo a maior consumo do mesmo e a um ciclo autoperpetuante.
 

Os cientistas descobriram que ciclos repetidos de consumo excessivo de álcool, seguidos de abstinência, alteravam a força das ligações neurais em modelos animais, resultando numa diminuição da força dos sinais dos neurónios D2.
 

“Pensem no comportamento de consumo excessivo de álcool por parte de muitos jovens adultos”, explicou Wang, “eles estão provavelmente a fazer o mesmo que demostrámos conduzir à inibição dos chamados neurónios ‘bons’ e a contribuir para um maior consumo de álcool”.
 

Segundo o cientista, em nota da universidade, os achados desta investigação revelam que os neurónios espinhosos médios D1 e D2 desempenham papeis diametralmente opostos no consumo de álcool.
 

Ao manipular a atividade destes neurónios, os investigadores foram capazes de alterar o comportamento de consumo de álcool nos modelos animais que tinham sido “treinados” para procurar álcool. Ao ativar os neurónios D2, os animais apresentaram um menor consumo de álcool, tendo o efeito sido mais pronunciado quanto maior foi a ativação deste tipo de neurónios.
 

Apesar de Wang alertar para o longo caminho que ainda separa esta investigação da aplicação e testes em humanos, em teoria, os achados deste estudo poderão ser úteis para desenvolver métodos de ativação dos neurónios D2 para ajudar indivíduos com problemas de consumo de álcool. “Esse é o objetivo final”, adianta Wang. “Espero que estes achados possam um dia ser usados para o tratamento da adição ao álcool”.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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