Álcool pode ajudar a engravidar?

Estudo revela que consumo moderado ajuda na concepção

29 novembro 2001
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O consumo de álcool pode ou não ajudar uma mulher a engravidar? Estudo anteriores mostraram que o consumo, embora moderado, de bebidas alcoólicas pode aumentar o tempo que uma mulher demora para engravidar.
 

Mas um novo estudo, baseado numa amostra de quase 40 mil mulheres, mostra que mesmo o consumo maior de álcool parece não ter um efeito negativo sobre mulheres que nunca tiveram filhos.
 

 

De acordo com a investigação publicada na revista científica Human Reproduction, uma quantidade moderada de bebida alcoólica até pode ajudar uma mulher a engravidar.
 

 

Em menos tempo
 

Apesar de parecer um contra-senso, os cientistas descobriram que mulheres não consumidoras de álcool podem demorar mais tempo para engravidar do que aquelas que tomam até duas doses de álcool por dia.
 

 

No entanto, a investigadora que liderou o estudo, Mette Juhl, faz um alerta: "Isso não significa que consumo de álcool é melhor para a fertilidade".
 

 

Outros estudos têm demonstrado que as mulheres não consumidoras de álcool podem ser influenciadas por outras condições, como uma constituição física mais fraca ou problemas de saúde, que podem afectar a fertilidade.
 

 

O estudo liderado por Juhl também demostrou que mulheres com filhos e que consumiam mais do que a quantidade máxima recomendada na Dinamarca de 14 doses por semana demoraram mais tempo a engravidar. As mulheres mais velhas, fumadoras ou que estão acima do peso também demoraram mais tempo. No entanto, aquelas que não bebem e estão acima do peso tiveram ainda mais dificuldade.
 

 

Inquérito
 

 

O estudo foi feito por um grupo de cientistas de Copenhaga e da Aarhus, na Dinamarca. No questionário foi perguntado a um grupo de 39.612 mulheres, entre 1997 e 2000, a quantidade de bebida alcoólica que ingeriam por semana em média antes de conceber e quanto tempo demoraram a engravidar.
 

 

Entre meia e duas doses de álcool por semana foi considerado consumo baixo, enquanto entre duas doses e meia e 14 por semana representa um consumo moderado. Mais de 14 doses semanais foi considerado uma quantidade alta.
 

 

Do total de 39.612 gravidezes examinadas, 29.844 foram planeadas e não tiveram complicações, como endometriose ou cancro no ovário ou cervical. Das 29.844 mulheres que queriam engravidar, metade teve sucesso dentro de dois meses, mas 15 por cento tiveram que tentar mais de um ano.
 

 

A grande maioria (79%) disse que tomava em média entre meia a sete doses de álcool por semana, 12% disseram não beber e 1% consumiam mais de 14 doses por semana.
 

 

Entre as mulheres com consumo elevado, 22% demoraram mais de um ano a engravidar, enquanto que 14% das que bebiam pouco demoraram o mesmo tempo. Entre as mulheres que não bebiam, 18% tiveram que esperar mais de um ano para conseguir engravidar.
 

 

Mais álcool, mais sexo
 

 

O resultado do estudo não adianta nenhum tipo de correlação entre o consumo de álcool e um aumento dos níveis de fertilidade. Mas, segundo explica Mette Juhl, “um consumo moderado pode estar relacionado uma frequência maior de relações sexuais, o que pode explicar o porquê de as mulheres que não bebem demoraram mais para engravidar".
 

 

Segundo a especialista, pequenas quantidades de álcool podem ter um efeito positivo no sistema reprodutor feminino, no sentido em que ajudam as mulheres a descontrair. Juhl reforça, no entanto, que o estudo analisou apenas a quantidade de bebida alcoólica ingerida antes da gravidez. "Os resultados não põem de lado a possibilidade de a ingestão de álcool próximo da data de ovulação reduzir a probabilidade de gravidez durante aquele ciclo menstrual".
 

 

Para alguns especialistas, citados pelo site da BBC, este novo estudo vem comprovar, no fundo, o que já se suspeitava há algum tempo. Ou seja, que o consumo moderado de álcool ajuda a relaxar e, deste modo, a aumentar probabilidade de ter sexo no momento certo.
 

 

É que, segundo apontam os especialistas, o stress é um factor inibidor da concepção, dado que as hormonas libertados pelo cérebro em resposta ao stress podem afectar a ovulação.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI - Médicos Na Internet
 

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