Álcool é responsável por mais de 700 mil novos casos anuais de cancro

Estimativas divulgadas no Congresso Mundial contra o Cancro

04 novembro 2016
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O álcool é responsável por mais de 700 mil novos casos e 365 mil mortes causadas por cancro, a cada ano e em todo o mundo, de acordo com estimativas divulgadas no Congresso Mundial contra o Cancro.
 
Segundo os dados apresentados no evento, aos quais a agência Lusa teve acesso, os novos casos de cancro, especialmente no esófago, colorretal, garganta, fígado e mama, surgem principalmente nos países desenvolvidos.
 
"Uma grande parte da população não sabe que o álcool pode provocar cancro", referiu o investigador canadiano Kevin Shield ao apresentar os dados preliminares do estudo do Centro Internacional de Investigação sobre o Cancro (CIRC/IARC), uma agência dependente da Organização Mundial de Saúde (OMS).
 
O estudo, referente a dados de 2012, indica que os cancros associados ao álcool representam 5% dos novos casos e 4,5% de todas as mortes causadas por cancro a cada ano em todo o mundo.
 
A América do Norte, a Austrália e a Europa, em particular a Europa de Leste, são as regiões mais atingidas. No entanto, os países em rápido desenvolvimento, como a Índia ou a China, onde o consumo de álcool está a aumentar, poderão juntar-se ao grupo dentro de pouco tempo.
 
Segundo vários estudos, a preponderância de casos de cancro ligados ao álcool está estreitamente ligada ao nível de desenvolvimento de um país. O consumo acrescido de álcool que normalmente acompanha o desenvolvimento junta-se também a alterações do modo de vida, de alimentação ou tabagismo, que "multiplicam o risco", considerou o investigador canadiano em entrevista à agência France Presse.
 
Segundo o estudo, que deverá ser publicado no próximo ano, indica que o cancro do esófago é o mais frequente nos casos de morte associados ao álcool (representando 34% dos 365 mil casos de morte reportados em 2012), à frente do cancro colorretal (20% das mortes).
 
Já entre os 704 mil novos casos de cancro associados a álcool, um em cada quatro (27%) são de cancro da mama, entre as mulheres.
 
O mesmo investigador já tinha demonstrado num trabalho publicado em junho que mesmo um ligeiro consumo de álcool por dia (menos de dois copos de vinho ou 30 mililitros de bebidas espirituosas ao dia) pode aumentar o risco de cancro da mama de 5% a 10%.
Kevin Shield realçou que não existe um limite de risco [a não ultrapassar], e que "o risco aumenta de forma linear à medida que aumenta a dose ingerida".
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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