Álcool e marijuana afetam integridade cerebral

Estudo publicado na revista “Alcoholism: Clinical & Experimental Research”

19 dezembro 2012
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O consumo crónico de álcool e de marijuana na juventude compromete a estrutura, função e metabolismo neuronal, assim como afeta as capacidades neurocognitivas durante a adolescência tardia e maioridade, sugere um estudo publicado na revista “Alcoholism: Clinical & Experimental Research”.
 

“O consumo de álcool e marijuana podem ter um impacto negativo através da alteração da comunicação celular no cérebro, impedindo o desenvolvimento de novas células saudáveis e/ou causando inflamação, que pode afetar o normal desenvolvimento do cérebro”, referiu, em comunicado de imprensa, a autora do estudo Joanna Jacobus.
 

Por outro lado, “comparativamente com o cérebro do adulto já completamente desenvolvido, o do adolescente é também mais vulnerável à neurotoxidade do álcool. Os adolescentes são mais vulneráveis à perda de controlo e, quando esta perda de controlo envolve o consumo de substâncias ilícitas, a utilização excessiva ou crónica destas pode ter consequências adversas”, acrescentou o coautor do estudo Duncan Clark.
 

Neste estudo, os investigadores da University of California, nos EUA, acompanharam, ao longo de 18 meses, 92 adolescentes, com idades compreendidas entre os 16 e os 20 anos. Do total dos participantes 41 tinha hábitos de consumo excessivo de álcool e marijuana e 51 tinham um consumo baixo ou praticamente nulo.
 

As ressonâncias realizadas aos cérebros dos adolescentes indicaram que aqueles que tinham um consumo excessivo de álcool e marijuana apresentavam alterações na substância branca do cérebro. A investigadora explica que esta zona, constituída maioritariamente por axónios, facilita a comunicação rápida e eficiente entre as diferentes regiões do cérebro. O facto da substância branca ser afetada pode significar um processamento cognitivo mais lento e pior desempenho cognitivo, nomeadamente ao nível da memória, atenção e tomada de decisões.
 

O estudo apurou que um consumo crescente de álcool durante um ano e meio, no final da adolescência, estava associado a um declínio da substância branca 18 meses mais tarde. Os investigadores verificaram que a organização da substância branca foi particularmente afetada numa zona denominada por fascículo longitudinal superior, uma das vias de conexão do cérebro mais importantes.
 

“Quando as ligações entre as áreas do cérebro são afetadas, estas não funcionam corretamente. O grau em que estas áreas são afetadas pode não ser visível no dia a dia. Contudo, o que nos preocupada é o facto destas pequenas alterações, na microestrutura do cérebro, conduzirem a uma diminuição do autocontrolo”, referem os autores.
 

Os investigadores esperam que este tipo de informação ajude os adolescentes a entender por que razão não se deve consumir álcool durante a adolescência.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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