Álcool: como afeta o sono?

Estudo publicado na revista “Alcoholism: Clinical & Experimental Research”

25 janeiro 2013
  |  Partilhar:

O consumo de álcool afeta os ciclos de sono. O estudo de revisão publicado no “Alcoholism: Clinical & Experimental Research” dá conta que o álcool diminui o tempo que um indivíduo demora a adormecer, aumenta o sono profundo e reduz a fase do sono conhecida por REM (do inglês, rapid eye movement).
 

O sono é apoiado por ciclos naturais de atividade cerebral e consiste em dois estados básicos: o REM e NREM (do inglês, non-rapid eye movement). Normalmente, as pessoas começam o ciclo com o sono NREM, o qual é seguido por um período muito curto de sono REM. Posteriormente entram no sono NREM, que é alternado com REM. Estes ciclos de cerca de 90 minutos continuam ao longo da noite.
 

Neste estudo, os investigadores do The London Sleep Centre e do Edinburgh Sleep Centre, confirmaram que de facto o álcool diminui o tempo que um indivíduo demora a adormecer. Adicionalmente foi verificado que quanto maior é a dose de álcool, mais pronunciado é o seu impacto no aumento do sono profundo. Segundo um dos autores do estudo, Irshaad Ebrahim, este efeito na primeira parte do sono pode em parte justificar o motivo pelo qual as pessoas com insónias consomem álcool para adormecer. Contudo, a vantagem da consolidação do sono na primeira metade da noite é perdida pela interrupção do sono na segunda parte da noite.
 

A maioria dos estudos refere que o álcool aumenta a fase profunda do sono (NREM), uma etapa onde ocorre a regeneração dos tecidos, onde ossos e músculos são formados e há também um fortalecimento do sistema imunitário. Contudo, este aumento de período de descanso conduz a uma maior vulnerabilidade de certos problemas de sono, como o sonambulismo ou apneia de sono, nos indivíduos mais suscetíveis.
 

Por outro lado, foi constatado que o álcool diminui a fase total do sono REM. Esta é a fase onde geralmente os sonhos ocorrem, onde o cérebro está mais ativo. O sono REM é também importante, pois pode influenciar a memória e desempenha também funções de recuperação. Assim, a falta de sono REM pode ter efeitos na concentração, capacidades motoras e de memória.
 

"Uma das consequências do atraso no início da primeira fase do sono REM é que o sono é menos reparador, existindo também uma associação com a depressão", explicou um outro autor do estudo Chris Idzikowski.
 

Irshaad Ebrahim refere que o álcool funciona como os antidepressivos. Estudos realizados com pacientes depressivos revelaram que os pacientes que não estavam sujeitos ao tratamento tinham um sono REM excessivo particularmente no início da noite, e que a medicação antidepressiva suprimia o sono REM. Assim, o álcool atua como os antidepressivos, diminuindo o sono REM especialmente na primeira fase da noite. O impacto do álcool no sono REM pode explicar amelhoria de humor e redução de ansiedade.
 

Os autores do estudo concluem que o consumo de álcool não ajuda a melhorar o sono. O sono pode ser mais profundo no início, mas depois é interrompido mais frequentemente. Adicionalmente o sono mais profundo pode promover o ressonar e uma respiração mais deficiente. Assim, as pessoas não devem associar o consumo de álcool a uma melhor noite de sono.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.