Água, fome e sida

Relatório anual da ONU alerta para consequências e emite recomendações

07 novembro 2001
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A população mundial está a esgotar os recursos do planeta a um ritmo sem precedentes. Segundo um estudo hoje divulgado pela ONU (Organização das Nações Unidas), a situação é insustentável e precisa ser contida rapidamente para evitar um desastre global, em especial com a escassez de água. «Cada vez mais pessoas usam mais recursos e com maior intensidade do que em qualquer outro momento da história humana», afirma a ONU no seu relatório anual de população para 2001.
 

 

Para a ONU, o panorama não é nada animador. «Em 2050, 4,2 biliões de pessoas (mais de 45 por cento do total mundial) estarão a viver em países que não poderão garantir a quota diária de 50 litros de água por pessoa para as suas necessidades básicas», alerta o relatório.
 

 

A população mundial, que dobrou para 6,1 bilhões nos últimos 40 anos, deve saltar 50 por cento - segundo a projecção - dentro de mais meio século, para 9,3 biliões. Todo este crescimento acontecerá no mundo em desenvolvimento, onde as reservas já são ultraexploradas.
 

 

O relatório afirma que a água está a ser usada e poluída a um ritmo catastrófico. Em cada ano que passa, cerca de 54 por cento das reservas disponíveis de água doce estão a ser utilizadas. Esses números, no entanto, deverão subir para 70 por cento em 2025, só com o crescimento populacional. Se o nível de consumo nos países em desenvolvimento alcançasse o do mundo desenvolvido, o uso saltaria então para 90 por cento.
 

 

Países em perigo
 

 

As consequências da diminuição de água já se fazem sentir em vários países. Em várias cidades da China, América Latina e sul da Ásia, o nível das águas subterrâneas cai mais de um metro por ano.
 

 

O relatório ainda revela que 1,1 bilião de pessoas já não tem acesso a água limpa. Nos países em desenvolvimento, até 95 por cento dos esgotos e 70 por cento dos lixos industriais são simplesmente despejados, sem tratamento prévio, em cursos de água.
 

 

Oceanos e recursos pesqueiros continuam a ser maciçamente superexplorados. A erosão está a destruir muitas espécies vegetais, um quarto das quais poderá ter desaparecido por completo em 2025.
 

 

Quanto às florestas tropicais, a situação não é muito diferente. Pinhais e matas continuam a ser destruídos à mais alta taxa da história. A sua destruição contribui também para o agravamento do aquecimento global que, por meio do chamado efeito estufa, para elevar o nível dos mares.
 

 

 

Alimentação e Sida
 

 

Quanto à alimentação, o relatório da ONU também emite algumas considerações. A produção de comida terá de dobrar e sua distribuição e melhorar muito para alimentar a população. A maior parte desse aumento na produção viria de variedades de alto rendimento que obrigaria o uso de meios agrícolas prejudiciais para o ambiente.
 

 

O documento diz ainda que a globalização do comércio aumentou a riqueza global, mas, ao contrário, ampliou as desigualdades. Em consequência, os países pobres são obrigados a esgotar os seus já escassos recursos naturais em prol da sobrevivência diária.
 

 

A Sida é, para a ONU, outra fonte de preocupação. O relatório aponta que a epidemia global entrou numa espiral fora de controlo e o dinheiro disponível para contê-la é, manifestamente, muito pouco. A questão surge: como se irá amparar a consequente avalanche de órfãos e excluídos?
 

 

A solução está nas mulheres
 

 

 

Para a ONU, uma das chaves para resolver tais problemas é dar às mulheres - que desempenham um papel fundamental, mas pouco reconhecido, nas comunidades rurais do mundo inteiro -uma participação maior na sociedade, além de, reforça o documento, exercerem o poder de decisão sobre o planeamento familiar, estipulando o tamanho desejado para as suas famílias. O relatório termina em tom de alerta: «Fica claro que dar acesso total a serviços de saúde reprodutiva seria bem menos custoso, a longo prazo, do que as consequências ambientais do crescimento da população que virá, se as necessidades de saúde reprodutiva não forem satisfeitas».
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

Fonte: ONU
 

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