Agressões a profissionais de saúde caíram em 2010

Investigador critica estudo da Direcção-Geral de Saúde

16 novembro 2011
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Cerca de metade dos profissionais de saúde é agredido pelo menos uma vez por ano, segundo um estudo do investigador André Biscaia, que lembrou que o relatório divulgado esta semana pela Direcção Geral de Saúde (DGS) refere apenas os casos comunicados.

 

De acordo com o Relatório de Avaliação dos Episódios de Violência Contra os Profissionais de Saúde, divulgado pela DGS, diminuiu o número de agressões a profissionais de saúde relatadas em 2010.Em 2007 registaram-se 35 episódios de violência contra profissionais de saúde no local de trabalho, em 2008 foram contabilizados 69 e em 2009, estão assinalados 174 episódios, número que caiu para 79 em 2010 de acordo com o relatório elaborado pelo Departamento da Qualidade na Saúde/Divisão da Gestão Integrada da Doença e Inovação da DGS.

 

De acordo com o relatório, essa diminuição pode estar relacionada com “iniciativas locais” que conduziram à “melhoria da qualidade dos serviços” ou a uma redução da comunicação dos casos.

 

“Não sabemos se estes números reflectem uma diminuição real de violência ou uma diminuição de reportes, que são sempre voluntários”, sublinhou em declarações à agência Lusa André Biscaia, coordenador de um estudo realizado em 2007 que veio mostrar uma realidade mais dramática.

 

“Entre 40 a 50% dos profissionais de saúde vão ser ou foram vítimas de pelo menos um episódio de violência por ano”, garantiu o especialista, acrescentando que normalmente quem é vitimado uma vez acaba por sê-lo mais vezes.

 

Os números “variam muito” consoante as instituições e os cargos ocupados nos serviços de saúde, porque existem “factores de vulnerabilidade”: quem tem mais contacto com o público está mais exposto. “Não há grupos imunes”, garante, lembrando que “quando o profissional de saúde tem de dizer "não" a um pedido as probabilidades de se transformar em vítima aumentam”.

 

Segundo o investigador, a agressão verbal é a mais habitual, seguida da pressão moral e da violência contra a propriedade pessoal, como “os roubos ou riscar o carro do profissional de saúde", que representam cerca de 15%. "Mas existe todo o tipo de violência, nomeadamente a física, o assédio sexual ou a discriminação”, contou, lembrando que “cerca de metade dos profissionais de saúde já sofreu agressões verbais, o assédio moral representa 16 a 18% e a violência física apenas 2 a 3%”. Já a discriminação “não é muito frequente” e o assédio sexual existe mas “é muito raro”.

 

Os agressores são habitualmente os utilizadores dos serviços, mas também os seus familiares e acompanhantes e outros profissionais de saúde. Os locais onde se registam mais episódios são os serviços de psiquiatria, onde 70% dos profissionais já foram alvo de violência, seguido das urgências.

 

O relatório elaborado pelo Departamento da Qualidade na Saúde/Divisão da Gestão Integrada da Doença e Inovação da DGS indica que “as vítimas predominantes são os enfermeiros e os médicos” e que na sua maioria são, “geralmente, do sexo feminino, com idade compreendida entre os 30 a 49 anos”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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