Agressividade infantil associada a fatores genéticos

Estudo publicado na “Psychological Medicine”

30 janeiro 2014
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O desenvolvimento da agressividade física nas crianças pequenas está fortemente associada a fatores genéticos e em menor escala a fatores ambientais, indica um novo estudo canadiano.
 

Eric Lacourse, da Universidade de Montréal, em conjunto com o hospital CHU Sainte-Justine, trabalhou com pais de gémeos monozigóticos (oriundos de mesmo óvulo) e dizigóticos (oriundos de óvulos distintos) para avaliar e comparar o comportamento dos mesmos, o meio-ambiente em que se encontravam inseridos e a genética dos mesmos.
 

O autor do estudo explica que “a análise genética e ambiental revelou que os fatores genéticos tinham um grande peso nas tendências de desenvolvimento, sendo assim maioritariamente responsáveis pela estabilidade ou alteração dos níveis de agressividade física”. O investigador alega que no entanto “essas associações genéticas não significam que as trajetórias iniciais de agressividade física estejam assentes e sejam inalteráveis. Os fatores genéticos podem sempre interagir com outros fatores do meio ambiente”.
 

Nos últimos 25 anos, a investigação relativa ao desenvolvimento inicial da agressividade física foi fortemente influenciada por teorias de aprendizagem social que sugeriam que a mesma se desenvolvia devido à excessiva exposição das crianças à violência no meio social e nos media.
 

No entanto, os resultados de estudos sobre a agressividade física indicam que esta se inicia na primeira infância e atinge o seu pico entre os 2 e os 4 anos de idade, sendo que existem grandes diferenças na frequência da manifestação e rapidez de mudança na agressividade física devido à interação de fatores genéticos e meio ambiente ao longo do tempo. Estudos anteriores concluem de forma geral que os fatores genéticos são responsáveis por cerca de 50% da variabilidade dos comportamentos disruptivos e de agressividade ao longo da vida.
 

Eric Lacourse e a equipa testaram três modelos gerais sobre o papel dos fatores genéticos e ambientais na agressividade física: um ponto de vista em que as fontes de influência residem nos fatores genéticos e ambientais e em que ambos participam na estabilidade da agressividade física; um modelo em que um único conjunto de fatores genéticos poderia explicar o nível de agressividade física através do tempo; e um terceiro modelo, denominado “maturação genética”, postula novas fontes de influências genéticas e ambientais com a idade. De acordo com este modelo, as novas contribuições ambientais para a agressividade física poderiam ser de curta duração em contraste com os fatores genéticos.
 

Para o estudo sobre gémeos participaram 667 pares de gémeos monozigóticos e dizigóticos. As mães forneceram informações sobre os comportamentos das crianças relativos a morder, pontapear, bater e lutar nas idades de 20, 30 e 50 meses. Lacourse ressalva que os resultados da análise genética e ambiental deram alguma força ao modelo genético, e sobretudo às hipóteses de maturação genética.
 

Segundo o investigador, “os fatores genéticos explicam uma grande parte das diferenças individuais na agressividade física enquanto, de uma forma mais geral, o papel limitado dos fatores ambientais partilhados na agressividade física choca com os resultados dos estudos sobre filhos únicos em que se encontram muitos mais fatores familiares para predizer as trajetórias de desenvolvimento de agressividade física durante a infância”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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