Agressividade dos homens está nos genes

Estudo publicado no “BioEssays”

13 março 2012
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A maior agressividade dos homens pode ser explicada pela presença de um gene envolvido no desenvolvimento do sexo masculino e que pode promover a agressividade e os comportamentos tipicamente masculinos resultantes da reação luta ou fuga ao stress, sugere um estudo publicado na revista científica “BioEssays”.

 

Estudos anteriores têm demonstrado que o organismo responde ao stress através da ativação das glândulas adrenais, as quais secretam as hormonas catecolaminas na corrente sanguínea despoletando a resposta agressiva de luta e fuga. Contudo, a maioria dos estudos realizados focaram-se no homem, não tendo em conta as respostas diferentes entre os sexos.

 

“Historicamente os homens e as mulheres têm sido submetidos a pressões de seleção diferentes, que são refletidas pelas diferenças bioquímicas e comportamentais entre os sexos” revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Joohyung Lee. “A reação agressiva de luta ou fuga é mais predominante nos homens, enquanto as mulheres tendem a adotar uma resposta mais amigável”, acrescentou o investigador.

 

Neste estudo os investigadores do Prince Henry's Institute, na Austrália, propõem que a diferença para este tipo de comportamento entre os sexos pode ser devida à presença do gene SRY no cromossoma Y, o qual tem um papel importante no controlo de um grupo de neurotransmissores conhecidos por catecolaminas.

 

Estudos realizados pelo coautor deste artigo, Vincent Harley, mostraram que o SRY é um gene determinador do sexo masculino, o qual está envolvido no desenvolvimento pré-natal dos testículos, que por sua vez secretam hormonas que conferem a aparência masculina ao corpo em desenvolvimento.

 

Na ausência do gene SRY os testículos não se formam fazendo com que o feto se desenvolva, naturalmente, num indivíduo do sexo masculino. A comunidade científica pensava que a única função deste gene era a formação dos testículos Contudo, estudos posteriores vieram demonstrar que a proteína SRY também se encontra expressa no cérebro e controla o movimento dos indivíduos do sexo masculino, via dopamina.

 

Para além dos testículos, a proteína SRY está presente em vários órgãos vitais dos indivíduos do sexo masculino, nomeadamente no coração, pulmões e cérebro, o que indica que esta proteína não está só envolvida na determinação do sexo. De acordo com Joohyung Lee isto sugere que o efeito da SRY não está confinado à formação dos testículos, podendo assim estar envolvida na função cardiovascular e atividade neuronal, as quais têm um papel importante na resposta ao stress.

 

Os autores do estudo propõem que talvez a proteína SRY faça com que os órgãos masculinos respondam ao stress através do aumento da secreção de catecolaminas e do fluxo sanguíneo para os órgãos. Segundo os autores, esta proteína poderá ainda promover a agressão e o aumento dos movimentos que conduzem à reação, luta e fuga. Nas mulheres, tanto o estrogénio como a ativação de opiáceos internos que o organismo utiliza para controlar a dor, poderão ser factores que diminuem a ocorrência de respostas agressivas.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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