Agressividade das crianças: qual o motivo?

Estudo publicado na revista “Development and Psychopathology”

03 outubro 2012
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O motivo da agressividade das crianças não é todo igual, sugere um estudo publicado na revista “Development and Psychopathology”.
 

A resposta agressiva à frustração faz parte do começo da infância, mas é esperado que as crianças consigam gerir as suas emoções e que controlem os seus comportamentos quando iniciam a escola. As crianças que não o conseguem fazer, que agridem os seus colegas quando estão frustrados ou causam outro tipo de distúrbios na sala de aulas, apresentam um risco elevado de mais tarde se tornarem delinquentes, violentos, consumirem substâncias abusivas ou cometerem mesmo o suicido. “Assim, quanto mais cedo se intervir, melhores são probabilidades da criança de entrar no trilho certo”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Lisa Gatzke-Kopp
 

Neste estudo, os investigadores convidaram 10 educadores a avaliar, numa escala de um a seis, os comportamentos dos seus alunos nomeadamente participação em lutas, crueldade ou bullying. Através da análise destes dados, os investigadores identificaram um grupo de 207 crianças de alto risco e um grupo de 132 crianças de baixo risco. Todos os participantes foram submetidos a exames neurobiológicos com o intuito de perceber de que modo as crianças agressivas sentem e controlam as emoções de um modo diferentes das crianças não agressivas.
 

As capacidades cognitivas e académicas de todas as crianças foram avaliadas através de testes capazes de identificar o nível de desenvolvimento de vocabulário, noção espacial e memória. Adicionalmente os professores foram também questionadas sobre o comportamento dos seus alunos, incluindo grau de desobediência, agressão e tristeza, bem como suas capacidades sociais e nível de autocontrolo dentro da sala de aula.
 

Paralelamente foi também avaliado o funcionamento cerebral das crianças perante situações como medo, alegria, tristeza e raiva.
 

O estudo apurou que cerca de 90% das crianças agressivas tinham uma menor capacidade verbal ou eram fisiologicamente mais ativas. Os autores explicam que as capacidades verbais são necessárias para entender os sentimentos dos outros e expressar os sentimentos sem necessidade de recorrer à agressão. As crianças também necessitam das suas capacidades cognitivas e de execução para manipularem a informação e pensarem em alternativas à agressão. Contudo, para as crianças que têm dificuldade na expressão verbal, a agressão é a solução mais fácil quando se deparam com a frustração.
 

Por outro lado há crianças agressivas que apesar de terem um bom nível de expressão verbal e função cognitiva são fisiologicamente mais ativas, ou seja, são emocionalmente mais reativas e tendem a ter uma vida com mais stress.
 

A investigadora conclui como estes são dois processos muito diferentes, baixa capacidade verbal e reatividade, estas crianças necessitam de diferentes abordagens para se conseguir alterar o seu comportamento.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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