Agressão física na primeira infância: uma questão de afeto?

Estudo publicado na revista “PLoS ONE”

12 dezembro 2014
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A agressão física (bater, dar pontapés ou tendência para morder e empurrar) que ocorre na primeira infância não parece estar associada à frustração causada pelos problemas de linguagem. Contudo, o estudo publicado na revista “PLoS ONE” defende que os comportamentos parentais podem influenciar o desenvolvimento da associação destes dois problemas.
 

Desde 1940 que vários estudos têm sugerido que há uma associação entre a agressão física e os problemas de linguagem entre as crianças e adolescentes. Foi também demonstrado que os problemas de agressão física surgem na primeira infância, quando a linguagem se desenvolve.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de Montreal, no Canadá, decidiram averiguar se esta associação existia em crianças entre os 15 e os 22 meses e, caso estivesse presente, por quem era influenciada.
 

O estudo inclui a participação de 2.057 crianças cujos pais avaliaram a frequência das agressões físicas e capacidades de linguagem dos seus filhos aos 17, 29, 41, 60 e 72 meses. O comportamento punitivo ou afetivo dos pais também foi avaliado.
 

O estudo apurou que havia uma associação entre a frequência das agressões físicas e a qualidade do desenvolvimento da linguagem entre os 17 e os 41 meses. As crianças que tinham poucas competências linguísticas aos 17 meses cometiam mais atos de agressão física aos 29 meses, e a frequência deste tipo de comportamentos aos 29 meses estava associada a uma menor competência linguística aos 41 meses.
 

Contudo, esta associação foi pequena e o facto de ter desaparecido aos 41 meses pode ser explicado por o período entre os 17 e os 41 meses ser marcado por um significativo aumento do desenvolvimento das competências linguísticas e uma elevada frequência de agressão física.
 

De acordo com o líder do estudo, Richard E. Tremblay, os humanos tendem a utilizar mais a agressão física entre os 17 e os 41 meses. Contudo, após este período, a maioria das crianças aprende a utilizar outras formas para conseguir o que quer, o que reduz a probabilidade da associação entre a agressão e os atrasos de linguagem.
 

Com base nestes resultados, os investigadores defendem que os comportamentos agressivos nas crianças pequenas não são motivados pelos atrasos na linguagem. Por outro lado, os autores do estudo demonstraram que durante esta fase, o afeto dos pais está associado a níveis baixos de agressão e a um bom desenvolvimento de linguagem das crianças.
 

Assim, estas observações indicam que os comportamentos afetivos dos pais podem facilitar a aprendizagem da linguagem e a aprendizagem de alternativas à agressão física. No entanto, também é possível que menores níveis de agressão e maior desenvolvimento da linguagem encorajem os pais a dar mais afetos aos seus filhos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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