Agressão entre irmãos não deve ser desvalorizada

Estudo publicado na revista “Pediatrics”

19 junho 2013
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As brigas entre irmãos são tão comuns que muitas vezes são vistas como algo que faz parte do processo de crescimento. Contudo, o novo estudo publicado na revista “Pediatrics” sugere que agressão entre irmãos afeta a saúde mental das crianças e adolescentes.
 

Na verdade, os investigadores da Universidade de New Hampshire, nos EUA, verificaram que os efeitos deste tipo de agressão na saúde mental são semelhantes aos resultantes da agressão entre pares.
 

De forma a chegarem a esta conclusão, os investigadores liderados por Corinna Jenkins Tucker contaram com a participação de 3.599 crianças que tinham entre um mês e 17anos de idade. O estudo avaliou os efeitos da agressão física, com ou sem arma ou lesão, agressão da propriedade, nomeadamente roubar ou quebrar pertences do irmão de prepósito, e agressão psicológica, como dizer coisas assustadoras ou desagradáveis.
 

Os investigadores constataram que das 32% das crianças que tinham sido sujeitas a algum tipo de vitimização por parte dos irmãos no último ano, o sentimento de angústia estava mais patente nas crianças até aos nove anos, do que nos adolescentes. Contudo, tanto as crianças como os adolescentes foram afetados de forma semelhante no que diz respeito à agressão psicológica e à agressão de propriedade cometida pelos irmãos.
 

A agressão física e psicológica em entre irmãos e pares teve efeitos independentes na saúde mental. A saúde mental dos irmãos ou pares que foram sujeitos à agressão de propriedade ou física não diferiu.
 

O estudo refere que enquanto a agressão entre pares, como o bullying, é habitualmente encarada de uma forma mais séria, a agressão entre irmãos é mais desvalorizada. “Caso um irmão bata no outro, há uma reação bem diferente do que quando este tipo de situação ocorre entre pares. Muitas vezes esta situação não é valorizada. Alguns pais pensam que até é algo benéfico, um bom treino para lidar com os conflitos e agressões exteriores”, revelou, em comunicado de imprensa, a investigadora.
 

Contudo, este estudo indica que a agressão entre os irmãos está associada aos mesmos efeitos mentais que a agressão entre pares.
 

Os autores do estudo sugerem que os pediatras deveriam partilhar este tipo de informação com os pais e que os programas de educação parental deveriam dar mais ênfase à agressão entre irmãos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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