Afinal, que nos distingue das outras espécies?

Neurobiólogos avançam com novos dados sobre a evolução da nossa espécie

09 setembro 2001
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Postura bípede? Pelagem reduzida? Polegares oponíveis? Não! O que realmente nos destingue dos outros animais é o tamanho do nosso cérebro.
 

 

Esta é a conclusão da investigação realizada na Universidade de Yale, Connecticut (EUA), por Rakic e Kresimir Letinic e publicada na última edição da revista Nature Neuroscience.
 

 

De acordo com as conclusões deste trabalho, durante o desenvolvimento fetal dos cérebros humanos verifica-se a migração de células nervosas – neurónios – entre determinadas áreas do cérebro em desenvolvimento. Segundo estes neurobiólogos, é este deslocamento de neurónios que permite o crescimento acentuado de algumas partes do córtex cerebral na nossa espécie.
 

 

Durante o desenvolvimento do sistema nervoso, este é “dividido” em várias regiões de células. É a partir de uma dessas regiões, o telencéfalo, que se originam as zonas mais sofisticadas do cérebro onde se incluem os lobos frontais e as áreas associadas à resolução de problemas, às interacções sociais e à memória.
 

 

Nornalmente, as células do telencéfalo não se misturam com as do diencéfalo, zona a partir da qual se formam o hipotálamo e os nervos ópticos. No entanto, já em 1969 o neurobiólogo Pasko Rakic relatou fenómenos que indiciavam a existência de migração celular entre o telencéfalo e o diencéfalo, mas ainda nenhum investigador desta área o tinha mostrado. Foi o que fizeram Rakic e Kresimir Letinic.
 

 

Para avaliarem se, de facto, ocorre deslocamento de neurónios entre aquelas duas áreas cerebrais durante o desenvolvimento embrionário, Rakic e Kresimir Letinic estudaram tecido cerebral de fetos humanos (obtidos a partir de abortos que foram doados para fins científicos) e de fetos de ratos e de macacos. Estes investigadores constataram que no rato e no macaco os neurónios ficam restritos à sua respectiva área cerebral e, portanto, não se deslocam para outras zonas, enquanto que no homem existe um grupo de neurónios que migram do telencéfalo para o tálamo dorsal, uma região do diencéfalo que envia informações para os lobos frontais e outras áreas de associação.
 

 

Edward Jones, neurobiólogo na Universidade da Califórnia (EUA), salienta que no cérebro humano adulto, o córtex cerebral não faz nada sem receber um sinal do tálamo dorsal. Segundo este investigador, as conclusões deste estudo implicam que, relativamente às outras espécies, as proporções do crescimento do córtex cerebral humano obrigaram à expansão de células do telencéfalo para o tálamo por forma a suportar todas as actividades cerebrais adicionais, características (e únicas) da espécie humana.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet
 

 

Fonte: Academic Press

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