Afinal consumir álcool em moderação não protege contra AVC

Estudo publicado na revista “The Lancet”

09 abril 2019
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Um novo estudo revelou que, ao contrário do que indicaram estudos anteriores, o consumo de álcool em moderação não exerce proteção cardiovascular.
 
Com efeito, o estudo liderado por Iona Millwood, da Universidade de Oxford, Reino Unido, com investigadores da Universidade de Pequim e da Academia Chinesa de Ciências Médicas, China, demonstrou que quanto mais elevado é o consumo de bebidas alcoólicas, maior é o risco de subida da tensão arterial e de acidente vascular cerebral (AVC).
 
Para o estudo, os investigadores contaram com a participação de 500.000 homens e mulheres chineses. As populações do Ásia oriental apresentam variantes genéticas comuns que fazem reduzir substancialmente a tolerância ao álcool, devido a reações extremamente desagradáveis que estas causam.
 
Embora estas variantes façam reduzir o consumo de álcool, não interferem noutros fatores de estilo de vida como fumar. Podem, por isso, ser usadas para estudar os efeitos causais do consumo de bebidas alcoólicas.  
 
Os participantes foram questionados relativamente ao seu consumo de bebidas alcoólicas e acompanhados durante 10 anos. 33% dos homens disseram consumir bebidas alcoólicas quase todas as semanas, contra apenas 2% das mulheres. 
 
Os investigadores mediram duas variantes genéticas em mais de 160.000 participantes que causavam uma redução substancial no consumo de álcool: rs671 e rs1229984. Nos homens, estas variantes genéticas motivaram uma redução de quase 0 a quatro unidades diárias no consumo de álcool e promoveram uma redução na tensão arterial e no risco de AVC. 
 
A partir das evidências, os autores concluíram que por cada aumento de quatro bebidas alcoólicas por dia (280 gramas por semana) o risco de AVC aumentava em 35%. Não foi detetado qualquer efeito protetor com o consumo ligeiro ou moderado daquele tipo de bebidas. 
 
Dos homens que tinham feito medições genéticas, durante os 10 anos de acompanhamento 10.000 tiveram um AVC e 2.000 um ataque cardíaco. 
 
Nas mulheres, as variantes genéticas que causam intolerância ao álcool exerceram efeitos reduzidos sobre a tensão arterial e risco de AVC. As mulheres do estudo perfazem um grupo de controlo relevante pois ajudam a confirmar que os efeitos das variantes genéticas sobre o risco de AVC nos homens foram causados pelo consumo de álcool e nenhum outro mecanismo. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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