Afasia: como proporcionar uma melhor qualidade de vida?

Instituto Português da Afasia promove primeiras jornadas

02 junho 2016
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No sábado, o Instituto Português da Afasia (IPA) vai promover as primeiras jornadas nacionais sobre estratégias emergentes para proporcionar mais qualidade de vida às pessoas com afasia, reunindo especialistas nacionais e internacionais.
 

A afasia é uma perturbação da linguagem e da comunicação provocada por uma lesão cerebral nas áreas específicas do cérebro que processam o código linguístico, o que se traduz na dificuldade, entre outras coisas, em expressar palavras e frases.
 

Em Portugal não se conhece quantas pessoas são afetadas por esta condição, mas sabe-se que acontecem seis Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) por hora, que dois terços das pessoas sobrevivem e que metade pode ficar com afasia.
 

A responsável do IPA, Paula Valente, revelou à agência Lusa que as jornadas agendadas para sábado não têm como objetivo dar a conhecer este instituto, que nasceu em Matosinhos há alguns meses, mas "mais importante do que isso, servem para chamar a atenção da população e de públicos específicos da área da saúde e da intervenção social para as abordagens psicossociais que estão a surgir em Portugal, mas que ainda não estão a ser implementadas de forma sistemática".
 

O programa inclui, por exemplo, uma oficina promovida por Sally McVicker, diretora da Connect, organização inglesa homóloga ao IPA, que vai falar de acessibilidade comunicativa.
 

Podem ser consideradas dicas para comunicar com uma pessoa com afasia a simplificação de informação escrita, adicionando símbolos e imagens, falar mais devagar, dar pistas sobre o tópico que está a ser abordado, fazer perguntas simples, colocar pouca informação numa página e escolher sinalética adequada, entre outras.
 

O público-alvo deste evento são os profissionais de saúde e da área social, pessoas ligadas à reabilitação, dirigentes e técnicos de associações que trabalham com pessoas com deficiência e a população em geral.
 

"A mudança de paradigmas, a eliminação de preconceitos e de barreiras não diz respeito apenas à pessoa com afasia. É necessário englobar todas as pessoas que rodeiam a pessoa com afasia para promover uma mudança de mentalidades. De nada serve que a pessoa com afasia ou os seus familiares conheçam as estratégias, se numa repartição, numa ida ao médico ou simplesmente a pedir um café, existem barreiras de comunicação", referiu Paula Valente.
 

Ao longo das jornadas vão decorrer conferências com temas como "Consequências do AVC e da afasia nos níveis de atividade e participação", o "Impacto da afasia na qualidade de vida das pessoas com afasia e familiares", a "Inclusão das pessoas com afasia e outras perturbações da comunicação nos processos de investigação científica" ou "Como tornar uma instituição mais aphasia-friendly".
 

Paula Valente sublinhou que o "grande objetivo" destas jornadas "é falar das abordagens mais focadas na participação e nas atividades e não tanto na doença".
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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