Adolescentes do sexo masculino devem ser vacinados contra o VPH

Recomendações da Sociedade Portuguesa de Pediatria

02 dezembro 2015
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Os adolescentes do sexo masculino deveriam ser vacinados, a título individual, contra o Vírus do Papiloma Humano (VPH) e os jovens pais e conviventes de recém-nascidos contra a tosse convulsa, recomenda a Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP).
 
De acordo com uma atualização das recomendações sobre vacinas extra do Programa Nacional de Vacinação (PNV), elaboradas pela Sociedade de Infeciologia Pediátrica (SIP) da SPP, os jovens adolescentes devem vacinar-se, a título individual, contra o VPH, “como forma de prevenir as lesões associadas a este vírus”.
 
No documento, ao qual a agência Lusa teve acesso, o VPH “é responsável, em todo o mundo e em ambos os sexos, por lesões benignas e neoplasias malignas, com incidência elevada”. 
 
“É hoje considerado o segundo carcinogéneo mais importante, logo a seguir ao tabaco. Está associado a 5% dos cancros, em geral, e a 10% na mulher”, prosseguem os autores.
 
De acordo com a SIP, “os homens encontram-se em risco de desenvolver condilomas genitais, cancros do ânus, do pénis, da cabeça e pescoço e neoplasias intraepiteliais do pénis e ânus”.
 
Em Portugal, a vacina contra o VPH foi introduzida no PNV em outubro 2008, para todas as adolescentes com 13 anos de idade num esquema de três doses. A partir do dia 01 de outubro de 2014, a vacinação em âmbito de PNV passou a ser recomendada para as raparigas entre os 10 e 13 anos de idade num esquema de duas doses.
 
Tendo em conta que “a carga da doença por VPH é relevante no sexo masculino e não existem rastreios implementados para a prevenção dos cancros associados a VPH”, os especialistas concluíram que “a forma de reduzir individualmente o risco de doença, para além da proteção indireta, é através da vacinação”.
 
A SPP recomenda ainda a “vacinação de jovens pais e conviventes que desejem reduzir o risco de infeção para si e para os recém-nascidos com quem residem”.
 
“A vacinação durante o terceiro trimestre da gravidez (entre as 28 e 36 semanas) durante surtos, como o que ocorre atualmente na Europa” e a “vacinação de adolescentes e adultos” são medidas de proteção individual igualmente recomendadas.
 
Em julho, o diretor-geral da Saúde assumiu que as autoridades estão preocupadas com os casos de tosse convulsa em Portugal, que também tem atividade em outros países europeus, e nos Estados Unidos.
 
“Nos últimos anos tem-se observado um aumento ligeiro do número de casos, embora flutuante”, refere o documento que pode ser consultado no sítio da SPP.
 
Além destas recomendações a SIP/SPP mantém a recomendação da proteção contra a doença invasiva por Neisseria meningitidis tipo B, nomeadamente “a vacinação das crianças dos dois meses aos dois anos”, podendo também “ser administrada a crianças e adolescentes”.
 
“A vacinação pode, ainda, ser considerada em crianças e adolescentes com doença ou tratamento imunossupressores e na prevenção de casos secundários intradomiciliários ou em instituições e para controlo de surtos”.
 
Para o rotavírus, agente que causa gastroenterite aguda, a SPP mantém “a recomendação de vacinação de todas as crianças saudáveis, reforçando a importância do cumprimento das indicações quanto à idade de vacinação”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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