Adolescentes com comportamento anti-social grave têm estrutura cerebral diferente

Estudo publicado no “American Journal of Psychiatry”

07 abril 2011
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Um novo estudo publicado no “American Journal of Psychiatry” mostra que os adolescentes que sofrem de transtorno de conduta apresentam uma estrutura cerebral diferente, que pode estar associada aos seus problemas de comportamento.
 

O transtorno de conduta é uma doença psiquiátrica caracterizada por aumento de comportamento agressivo e anti-social. Esta doença pode desenvolver-se na infância ou na adolescência e os afectados estão sob maior risco de desenvolverem problemas de saúde mental e física na idade adulta.
 

Para este estudo, os neurocientistas da University of Cambridge, no Reino Unido, contaram com a participação de 65 rapazes adolescentes com transtorno de conduta e 27 rapazes adolescentes sem sintomas deste distúrbio de comportamento. Todos eles foram submetidos a uma ressonância magnética para medir o tamanho de determinadas regiões específicas do cérebro.
 

O estudo revelou que a amígdala e a ínsula — regiões do cérebro que contribuem para a percepção da emoção, empatia e reconhecimento de quando outras pessoas estão em perigo — eram muito menores nos adolescentes que apresentavam comportamento anti-social, em comparação com os adolescentes que não apresentavam este desvio de comportamento. Estas alterações estavam presentes nos transtornos de conduta com início na infância e na adolescência. Além disso, verificou-se também que quanto mais graves eram os problemas de comportamento, menor era o volume da ínsula.

 

Um menor volume das estruturas do cérebro envolvidas no comportamento emocional tem sido associado ao aparecimento do transtorno de conduta na infância. Alguns investigadores defendiam que a manifestação do transtorno de conduta com início na adolescência era causada apenas pela imitação do mau comportamento de outras pessoas. Contudo, os resultados agora divulgados não apoiam esta teoria e sugerem que existe uma base neurológica para estas doenças, quer elas tenham início na infância ou na adolescência.
 

O líder do estudo, Ian Goodyer, revelou em comunicado de imprensa que as "alterações no volume de substância cinzenta nestas áreas do cérebro poderiam explicar por que é que os adolescentes com transtorno de conduta têm dificuldades em reconhecer as emoções nos outros. São necessários mais estudos para investigar se estas mudanças na estrutura do cérebro são uma causa ou uma consequência da desordem".
 

"Esperamos que nossos resultados possam contribuir para estratégias psicossociais que permitam a detecção de crianças com alto risco de desenvolverem comportamentos anti-sociais", acrescentou ainda o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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