ADN pode afetar as escolhas reprodutivas?

Estudo publicado na revista “Nature Genetics”

04 novembro 2016
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Uma equipa internacional de investigadores identificou 12 áreas específicas na sequência do ADN que estão relacionadas com a idade em que se tem o primeiro filho e com o número de filhos que se tem ao longo da vida, revela um estudo publicado na revista “Nature Genetics”.
 
O estudo, liderado pelos investigadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, analisou 62 bases de dados com informações de 238.064 homens e mulheres quando foram pais pela primeira vez e de quase 330 mil homens e mulheres no que diz respeito ao número de filhos. 
 
Até à data acreditava-se que o comportamento reprodutivo estava principalmente associado às escolhas pessoais ou às circunstâncias sociais, bem como a fatores ambientais. Contudo, este estudo, no qual participaram mais de 250 investigadores, demonstrou que é possível isolar variantes genéticas e que há uma base biológica para o comportamento reprodutivo.  
 
Melinda Mills, a líder do estudo, referiu que pela primeira vez sabem onde encontrar as áreas do ADN associadas ao comportamento reprodutivo. Verificou-se, nomeadamente, que as mulheres com variantes do ADN associadas ao adiamento da paternidade, apresentavam também porções de ADN relacionadas com o início tardio da menstruação e da menopausa. 
 
Na opinião da investigadora, no futuro esta informação poderá ser utilizada para saber quanto tempo é que as mulheres podem esperar até serem mães pela primeira vez. No entanto, é necessário colocar esta informação em perspetiva, uma vez que ter um filho depende fortemente de vários fatores sociais e ambientais.
 
O estudo apurou que as variantes de ADN associadas à idade em que os indivíduos têm o primeiro filho também estão envolvidas com outras características que refletem o desenvolvimento reprodutor e sexual, como a idade em que as raparigas têm o período pela primeira vez, quando a voz dos rapazes sofre alterações, bem como idade em que as mulheres entram na menopausa.
 
“Os nossos genes não determinam o nosso comportamento, mas pela primeira vez, identificámos partes do código do ADN que o influenciam”, referiu, em comunicado de imprensa, a primeira autora do estudo, Nicola Barban.
 
Os cientistas apuraram que as variantes nas 12 áreas do ADN preveem em conjunto menos de 1% da altura em que os homens e as mulheres têm um filho pela primeira vez e o número de filhos que têm ao longo da vida. Apesar de estes números parecerem extremamente pequenos, em alguns casos quando as variantes são combinadas, podem ser utilizadas para prever a probabilidade de uma mulher permanecer sem filhos. 
 
Ao analisar a função e os genes das 12 regiões de ADN, os investigadores identificaram 24 genes suscetíveis de ser responsáveis pelos efeitos das 12 variantes de ADN no comportamento reprodutor. Alguns destes genes já eram conhecidos por influenciar a infertilidade, enquanto outros ainda não foram estudados. 
 
Harold Snieder, um dos autores do estudo, concluiu que um maior conhecimento da função destes genes pode fornecer novas informações para os tratamentos de infertilidade.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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