ADN microbiano dos intestinos de cada pessoa é único

Estudo publicado na revista “Nature”

10 dezembro 2012
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O nosso organismo contém mais genes microbianos do que humanos. Um novo estudo publicado na revista “Nature” sugere que tal como o ADN humano, o ADN microbiano dos intestinos também é único e difere de pessoa para pessoa.
 

Esta investigação, conduzida pelos investigadores da University School of Medicine, nos EUA, é a primeira a catalogar os microrganismos que habitam os intestinos, onde eles extraem os nutrientes, sintetizam vitaminas, protegem contra infeções e produzem compostos que naturalmente reduzem a inflamação. Esta variedade genética descoberta, pode ajudar a perceber de que modo os nossos genes microbianos atuam paralelamente com os genes humanos para nos manter saudáveis ou, em alguns casos, causar doença.
 

“Cada um de nós pode ser identificado pela coleção de genes intestinais microbianos. Esta coleção individualizada é semelhante ao genoma humano. O modo como cada indivíduo responde aos fármacos ou como utilizam diferentes nutrientes pode ser determinada através da variação dos genes microbianos, assim como através dos genes humanos”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, George Weinstock.
 

Para o estudo os investigadores analisaram o ADN microbiano de 252 amostras de fezes de 207 indivíduos americanos. Após terem-se focado em 101 espécies de microrganismos habitualmente encontrados nos intestinos, os investigadores identificaram mais de 10mil alterações no ADN destes microrganismos.
 

Em 43 dos participantes, aos quais tinham sido recolhidas duas de amostras de fezes espaçadas de pelo menos um mês, foi constatado que havia pouca variabilidade no ADN microbiano ao longo do tempo, apesar das espécies microbianas terem flutuado.  
 

“O ADN microbiano é surpreendentemente estável, tal como uma impressão digital. Mesmo após um ano foi possível fazer a identificação dos participantes através da sua assinatura de ADN microbiano”, disse o investigador.
 

O estudo refere que com este novo catálogo, os investigadores poderão começar a conhecer as forças seletivas que moldam o microbioma, coleção de microrganismos e os seus genes, nos intestinos.
 

“O ADN dos nossos microrganismos é um registo histórico da evolução microbiana no nosso organismo. Muitos destes organismos foram colonizados quando éramos ainda crianças e têm crescido e evoluído com as pessoas ao longo do tempo”, referiu a coautora do estudo, Makendonka Mitreva.
 

A investigadora conclui que estudos futuros realizados no microbioma dos intestinos poderão também ajudar a comunidade científica a determinar o modo como os genes microbianos podem ser manipulados para melhorar a saúde humana e a eficácia de determinados tratamentos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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