ADN dos voluntários de limpeza de maré negra alterou-se

Estudo publicado nos “Annals of Internal Medicine”

30 agosto 2010
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Os voluntários que participaram nas operações de limpeza da maré negra provocada pelo naufrágio do petroleiro "Prestige", em 2002, ao largo da costa espanhola, apresentaram dois anos mais tarde problemas respiratórios persistentes e alterações no ADN, refere um estudo publicado nos “Annals of Internal Medicine”.

 

Após estudos preliminares com os voluntários, verificou-se um aumento das taxas de danos no ADN e a presença de sintomas respiratórios. Com o intuito de verificar se os efeitos na saúde dos voluntários persistiam dois anos após a realização dos trabalhos de limpeza, a equipa liderada por Joan Albert Barberà, do Hospital Clínico de Barcelona, Espanha, recrutou 678 pescadores das aldeias costeiras perto do derrame, 501 dos quais realizaram trabalhos de limpeza extensiva e 177 serviram apenas de grupo de controlo. Todos foram submetidos a testes de função pulmonar e questionados sobre os sintomas respiratórios.

 

Foi verificado que 26,6% dos pescadores que tinham trabalhado na limpeza relataram sintomas do trato respiratório, versus 20,9% dos participantes do grupo de controlo. Depois de excluírem os voluntários fumadores, foram verificadas alterações estruturais nos cromossomas das pessoas expostas ao petróleo (70% versus 46%), "um resultado inesperado que pode reflectir um aumento do risco de cancro", considerou o líder da investigação, em comunicado enviado à imprensa.

 

A exposição aguda aos hidrocarbonetos aromáticos (presentes no petróleo) tem sido associada a sintomas respiratórios e alguns compostos deste combustível, como o benzeno, são cancerígenos.

 

Segundo referem os investigadores, os resultados podem não ser aplicados a outros derramamentos de petróleo, mas avançam com dados que podem servir de guia para a aplicação de medidas adequadas de protecção sanitária, bem como para que seja realizado um acompanhamento sistemático da saúde dos trabalhadores após a limpeza. Muitos dos voluntários nas operações de limpeza não receberam instruções para o manejamento dos materiais, em especial nos primeiros dias após o acidente ambiental.

 

O petroleiro liberiano "Prestige" naufragou a 13 de Novembro de 2002 na costa da Galiza, tendo derramado 50 mil toneladas de combustível, num dos piores acidentes ambientais da história.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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