Adipócitos podem proteger contra infeções

Estudo publicado na revista “Science”

07 janeiro 2015
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Os adipócitos, células de gordura, que se encontram na pele, produzem peptídeos antimicrobianos que ajudam o organismo proteger-se contra infeções bacterianas e de outros patogénios, dá conta um estudo publicado na revista “Science”.
 

A defesa do organismo contra infeções microbianas é complexa e envolve vários tipos de células, culminando com a chegada de neutrófilos e monócitos, células especializadas em “devorar” literalmente os patogénios em causa. Contudo, antes da chegada deste tipo de leucócitos, o organismo necessita de uma resposta mais imediata para combater o rápido aumento dos patogénios. Esta resposta envolve habitualmente células epiteliais, mastócitos e leucócitos residentes na área de infeção.
 

Os investigadores da Universidade da Califórnia, nos EUA, centraram-se numa bactéria, o Staphylococcus aureus, responsável por infeções cutâneas e dos tecidos moles. Estudos anteriores tinham demonstrado que esta bactéria se encontrava presente na camada adiposa da pele. Neste estudo, os investigadores decidiram averiguar se esta camada desempenhava um papel na prevenção das infeções cutâneas.
 

Poucas horas após terem exposto ratinhos ao Staphylococcus aureus, os investigadores observaram um aumento no número e tamanho de adipócitos no local da infeção. Observou-se ainda que estas células produziram elevadas quantidade de um peptídeo antimicrobiano, denominado CAMP. Estas moléculas são utilizadas pelo sistema imune inato para matar bactérias, vírus, fungos e outros patogénios.
 

Posteriormente, os investigadores expuseram ratinhos incapazes de produzir adipócitos eficazmente ou cujas células não expressavam quantidades suficientes de peptídeos antimicrobianos, especialmente de CAMP, à bactéria. Verificou-se que em ambos os casos os ratinhos sofreram de infeções mais frequentes e severas.
 

De acordo com os investigadores, a presença destes peptídeos antimicrobianos é uma faca de dois gumes. Apesar de o CAMP estar, em níveis baixos, associado à ocorrência de infeções frequentes o seu excesso pode também desencadear doença autoimunes e inflamatórias como lúpus, psoríase e rosácea.
 

Testes posteriores indicaram que os adipócitos humanos também produziam CAMP, o que sugere que a resposta imune é similar nos roedores e nos humanos. Verificou-se ainda que os indivíduos obesos produziam maiores quantidades de CAMP do que os indivíduos com peso normal.
 

“A produção defeituosa de peptídeos antimicrobianos pelos adipócitos maduros pode ocorrer devido à obesidade ou resistência à insulina, resultando numa maior suscetibilidade à infeção, mas níveis elevados de CAMP podem conduzir a uma resposta inflamatória prejudicial”, revelou um dos autores do estudo, Richard Gallo.
 

De acordo com o investigador, estes achados abrem novas vias de estudo e poderão ajudar a comunidade científica a entender as associações entre a doença e obesidade e a desenvolver novas estratégias para otimizar os cuidados de saúde.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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