Adesão celular poderá ser indicadora de metástases?

Estudo publicado na revista “Biophysical Journal”

06 março 2017
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Um novo estudo sugere que poderá ter sido descoberta uma forma de identificar as células cancerígenas que poderão formar metástases.
 
O estudo conduzido por uma equipa de investigadores da Universidade da Califórnia em San Diego, EUA, vem na sequência de investigação anterior que sugeria que a força com a qual as células poderiam aderir ao tecido tumoral circundante poderia constituir um marcador biofísico válido para prever a metastização.
 
A metastização ocorre quando as células cancerígenas se espalham para outras partes do corpo, através do sistema linfático ou corrente sanguínea, e formam tumores secundários. No entanto, só um número reduzido dessas células possui o potencial de se espalhar para o resto do corpo.
 
A equipa de investigadores liderada por Adam Engler daquela universidade apercebeu-se que não existem muitos marcadores biológicos que permitam identificar as células que podem formar metástases. Os investigadores decidiram que “ao procurar entender a heterogeneidade de adesão numa população invasiva poderia melhorar a nossa capacidade de fisicamente monitorizarmos as células cancerígenas e prevermos comportamentos invasivos”.
 
Para esse propósito, a equipa elaborou um disco giratório para medir a rapidez e força de adesão de células cancerígenas da mama e da próstata a uma lamela coberta com proteínas de matriz extracelular, que são as moléculas que conferem suporte estrutural às células adjacentes e orientam o seu crescimento e desenvolvimento.
 
De seguida a lamela foi unida a uma haste giratória e os investigadores exerceram pressão nas células. Finalmente, mediram o cisalhamento necessário às células para caírem da lamela coberta com proteínas de matriz extracelular.
 
Foi apurado que as células com potencial de metastização são significativamente mais heterogéneas relativamente à sua força de adesão em comparação com as células que não apresentam potencial de formar metástases. As células com muita força de adesão apresentavam uma tendência para migrarem menos, à semelhança das linhas celulares sem potencial de metastização.
 
Os achados parecem sugerir que a força de adesão poderá funcionar como um marcador biológico de grande precisão para as células com potencial de metastização. “(…) O nosso dispositivo demonstra que haverá realmente um marcador físico que preveja a possibilidade de propagação”, comentou Adam Engler, autor principal do estudo.
 
No futuro, os investigadores irão tentar perceber, em ratinhos, se as células com pouca adesão formam tumores de forma mais rápida do que as células cancerígenas em geral. Se essa hipótese for confirmada, os investigadores irão estudar o tecido à volta dos tumores em ratinhos e humanos para estudar a correlação entre essas células de fraca adesão e os índices de sobrevivência nos pacientes.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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