Acupunctura reduz crises de enxaqueca

Os benefícios das medicinas alternativas à luz da ciência

12 maio 2003
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As mulheres que optam por fazer acupunctura em vez de usar medicamentos a fim de prevenir a enxaqueca apresentam menos sintomas iniciais, menos crises e menos efeitos secundários decorrentes do tratamento, informou um novo estudo.
 

 

A equipa liderada por Gianni Allais, do Centro Feminino para Dor de Cabeça, em Turim (Itália),constatou que as pacientes que receberam tratamentos de acupunctura tiveram menos crises de enxaqueca durante os primeiros quatro meses de terapia e apresentaram uma menor necessidade de usar analgésicos durante a fase inicial do tratamento.
 

 

Ao invés, o mesmo não aconteceu no grupo de pacientes que tomou flunarizina, um medicamento pertencente à classe dos bloqueadores de canais de cálcio que e geralmente é usado para ajudar a prevenir enxaquecas. No entanto, seis meses depois não houve diferença entre os dois grupos no que diz respeito ao número de crises.
 

 

As voluntárias que participaram do estudo sofriam de enxaqueca sem aura - distúrbios visuais e outros sintomas típicos das crises. As enxaquecas são caracterizadas por sensibilidade à luz, dor intensa e latejante. Algumas vezes também ocorrem náuseas e vómitos.
 

 

O processo subjacente à enxaqueca não é totalmente conhecido, mas os investigadores acreditam que envolva alterações nos vasos sanguíneos cerebrais.
 

 

A acupunctura, terapia que surgiu na China há mais de 2 mil anos, consiste na aplicação de finas agulhas em pontos específicos da superfície do corpo que são conexões com vias de energia, ou meridianos, segundo a teoria tradicional. Esta terapia mantém esse fluxo natural de energia em circulação.
 

 

Estudos anteriores sugeriram que a acupunctura poderia ajudar a evitar novos episódios de enxaqueca, mas geralmente esses trabalhos apresentavam falhas de planeamento.
 

 

Neste estudo, publicado recentemente na revista Headache, a equipa de Allais analisou 80 mulheres submetidas a sessões semanais de acupunctura durante dois meses - em seguida, essas pacientes fizeram aplicações mensais por mais quatro meses. As agulhas foram colocadas nos mesmos pontos em cada sessão e mantidas no corpo da paciente durante 20 minutos.
 

Um outro grupo de 80 mulheres usou flunarizina em doses de 10 miligramas diárias durante dois meses. Nos quatro meses seguintes, as pacientes tomaram a droga 20 dias por mês.
 

 

Os dois tratamentos funcionaram e as mulheres apresentaram um número menor de dores de cabeça. Entretanto, o grupo que usou acupunctura teve menos crises que o grupo da flunarizina durante os primeiros quatro meses do estudo - uma média de 2,3 contra 2,9 crises, respectivamente. A acupunctura pareceu reduzir a intensidade da dor e a necessidade de consumir analgésicos. Seis meses após o início da terapia, os grupos tiveram um número semelhante de crises.
 

 

De um modo geral, as mulheres que usaram flunarizina foram mais propensas a abandonar o estudo por razões que incluíram depressão, ganho de peso e sonolência. Os autores do trabalho observaram, no entanto, que as pacientes do grupo da acupunctura poderiam apresentar um maior «efeito placebo», pois receberam «muito mais atenção e tratamento individual» que o grupo do medicamento.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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