Açúcares do leite materno são novo agente antibacteriano

Estudo publicado na revista “ACS Infectious Diseases”

23 agosto 2017
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Um novo estudo apurou que os açúcares presentes no leite materno oferecem proteção aos bebés contra uma espécie de bactéria que é a que mais provoca infeções em recém-nascidos.
 
Normalmente, a investigação efetuada sobre as propriedades antibacterianas do leite materno incide sobre as proteínas no leite.
 
Este estudo efetuado pela Universidade Vanderbilt, EUA, revelou não só as propriedades antibacterianas dos hidratos de carbono do leite materno, mas também que alguns dos hidratos fazem aumentar a eficácia das propriedades antibacterianas das proteínas (do leite materno).
 
Para o estudo, a equipa começou por investigar diferentes métodos de combater bactérias infeciosas, tendo selecionado a estreptococos do grupo B. 
 
Os investigadores procuraram perceber de se as grávidas produziam compostos que pudessem enfraquecer ou exterminar aquela bactéria, tendo-se concentrado nos açúcares presentes no leite materno. Para o efeito, a equipa recolheu amostras de hidratos de carbono de leite materno, conhecidos como oligossacáridos, de várias dadoras.
 
Os compostos analisados foram adicionados a culturas de estreptococos do grupo B e os efeitos observados. 
 
Os investigadores verificaram que alguns dos oligossacáridos não só exterminavam as bactérias diretamente, mas também romperam fisicamente os biofilmes formados pelas bactérias como proteção.
 
A equipa encontra-se atualmente a efetuar um estudo de continuidade com dezenas de amostras. Até à data foi verificado que duas amostras romperam os biofilmes bacterianos e exterminaram as bactérias, quatro romperam os biofilmes mas não exterminaram as bactérias e duas exterminaram as bactérias sem romperem os biofilmes.
 
“Os nossos resultados demonstram que estes açúcares (…) primeiro enfraquecem as bactérias-alvo e depois matam-nas. Os biólogos às vezes chamam a isto ‘letalidade sintética’ e há um grande empurrão para se desenvolver novos fármacos antimicrobianos com esta capacidade”, afirmou Steven Townsend, autor principal do estudo.
 
O investigador apontou ainda que outra propriedade admirável destes compostos é o facto de não serem tóxicos, ao contrário da maioria dos antibióticos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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